Quarta-feira, Março 14
Como os jornalistas americanos viram a ascensão de Hitler
Matéria bem interessante em inglês, vale a pena ser lida
Segunda-feira, Março 12
Lute pela verdade na Wikipedia
Os que querem entrar na batalha pela verdade na Wikipedia tem uma nova arma. Acabei de encontrar (imagem em anexo) uma área de avaliação de credibilidade para os artigos, que pode ser preenchida rapidamente por qualquer pessoa. Não sei se aparece em qualquer verbete, nem vi isso há dois dias atrás. Se você não tinha outra arma para combater os mal intencionados, agora talvez queria se dedicar um pouco a limpar a Wikipedia.
Quarta-feira, Fevereiro 22
Why We Fight - Nazismo - recomendado
Colocado na web o documentário oficial do governo americano, "Porque nós lutamos", do início da Segunda Guerra Mundial, dublado em português. É uma importante referência histórica e muito acessível.
Quinta-feira, Fevereiro 9
Hezbollah do Barhain - Isso a mídia não mostra
Veja o q a mídia não mostra sobre o levante xiita no Barhein "Coquetel molotov é resistência pacífica" segundo clérigo http://www.youtube.com/watch?v=_O6oTsm79M0& - As imagens são originais e a edição é lá do Barhein mesmo. Pelas notícias que temos no Brasil, não é nada disso que está ocorrendo lá. O autor, acusa a existência de um Hezbollah local. Agora note a violência impressionante dos xiitas contra outros muçulmanos que eles nem sabem se são xiitas ou sunitas (governo sunita). Imagine o que essa gente faria (ou fará) conosco, com os judeus, se puder!!! O vídeo é longo, mas possui muito material e informações diferentes.
clique para assistir no Youtube em tela maior
Quarta-feira, Fevereiro 8
Análise do veto da Rússia e China no caso sírio
Sinopse e adaptação da análise publicada em Israel pelo cientista político Dr. Amiel Ungar. Se você imagina, como vem saindo na mídia que o veto tem algo a ver com o povo ou o governo da Síria ou com investimentos e influência russa e chinesa da Síria, esta enganado. Segundo do dr. Ungar, o veto é apenas relacionado com interesses políticos internos de ambos países e nada tem a ver com a Síria. É uma argumentação interessante e se for correta, dá para entender o que está acontecendo.
Depois de um complicado acordo que obteve o consenso do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China vetaram uma resolução fundamental contra a Síria. Imediatamente as tropas do governo iniciaram uma ofensiva passando de confrontos e combates de rua para ataques generalizados de artilharia e tanques contra bairros civis em várias cidades, coisa similar ao que Kadafi fez na Líbia e que detonou a Zona de Exclusão aérea e consequentemente os ataques devastadores da ONU contra as forças armadas leais ao falecido ditador líbio.
1. No caso da Líbia a opinião dos países árabes mudou a luz vermelha acesa na China e Rússia, para amarelo, permitindo a intervenção. Lembre que na época o Hezbollah e até mesmo a Síria apoiaram esta intervenção. Parte da atitude russa e chinesa de hoje é baseada no sentimento deles de que eles não tiverem controle nenhum sobre o que aconteceu na Líbia e as tropas da ONU (não só ocidentais) tomaram toda a iniciativa, sem consulta. Não querem que isso ocorra novamente, agora na Síria.
2. ESTABILIDADE - Os governos russo e chinês estão levando ao limite o fator estabilidade para legitimizar um regime autoritário. Há desestabilidade em ambos países. Putin acredita que revoluções e instabilidade vão mandar a Rússia de volta para o passado. A China vem esmagando todas as manifestações pro-democracia, perdendo dissidentes democratas, porque eles representam uma ameaça à estabilidade chinesa que atingiu e parece que vai continuar atingindo suas ambiciosas metas econômicas.
Se o regime de Assad for deposto na Síria isso vai passar a mensagem oposta (já lida várias vezes no último ano) de que as manifestações funcionam. Quando a primavera árabe surgiu na mídia chinesa tentou ignorar, não informando ao povo. Depois passou a explicar que a situação na China é completamente diferente e que aquilo não poderia ser replicado na China.
3. EXTREMISTAS MUÇULMANOS - Ambos regimes temem os extremistas muçulmanos e sua habilidade de infectar as populações muçulmanas nos dois países. A Rússia se envolveu em combates terríveis na Chechênia contra os muçulmanos e a China tem uma relação muito complicada com mais de 25 milhões de muçulmanos uigures no oeste do país, que possuem agenda separatista de criação de uma república islâmica. Ambos países veem na Síria um regime político que manteve os extremistas sob a bota, sob controle. Eles temem que o regime que vai suceder Assad será um regime islamista. Putin já deixou bem claro aos países ocidentais que está irado com o que eles estão permitindo que ocorra no mundo árabe - os regimes militares passando para islâmicos pela sharia. Israel compartilha dessa visão. Um dos motivos técnicos mais básicos é que os islamistas e extremistas passarão a controlar o aparelho de estado, tendo acesso a toda sua capacidade tecnológica de informação e o controle de todo o arsenal de armas convencionais e não convencionais. Nos regimes islamistas não há, nem haverá mais controle sobre o roubo, cessão ou repasse destas armas para os grupos extremistas jihadistas terroristas. A Guerra ao Terror no Afeganistão poderá vir a parecer uma operação simples, comparada ao que poderá vir.
4. MULTILATERALISMO - Rússia e China veem o ocidente como a força por trás dos movimentos pela democracia. A Rússia está do lado perdedor deste tipo de revolução na Ucrânia, Georgia e Sérvia, que derrubaram seus líderes pró-Moscou. Ambos veem estas revoluções como tentativas ocidentais de agir unilateralmente na arena global, ignorando os interesses chineses e russos. Mover a decisão sobre conflitos para Conselho de Segurança da ONU onde ambos tem poder de veto, é uma vitória que significa que seus desejos e vontades não poderão ser ignorados.
5. NÃO-INTERFERÊNCIA - Nas suas apostas de fazer amigos políticos e assegurar vantagens econômicas, Rússia e China divulgam uma política de não-interferência. Mugabe do Zimbabwe, o clérigo líder do Sudão e outros ditadores, sabem que Rússia e China não vão pressioná-los em assuntos de direitos humanos e democracia. Por outro lados, China e Rússia tem o apoio destes ditadores em suas próprias confrontações diplomáticas. E os ditadores, em troca, sabem que Rússia e China usarão seu poder de veto em resoluções contra eles (resoluções que seriam a favor dos direitos humanos e pela democracia). Isso dá uma vantagem a russos e chineses nos investimentos econômicos nestes países e vendas de armas. Graças a esta lógica, Rússia e China investem pesadamente nestes regimes ditatoriais e detém que percam estas vantagens se os governantes forem trocados em eleições ou removidos em revoluções.
Assim, você passa a ver que não há nada relacionado com a matança de sunitas por xiitas na Síria que realmente preocupe Rússia e China. O básico do conceito deste veto é a mensagem que vetar e não vetar passa para os militantes internos destes dois países e para os países ditatoriais com os quais tem relações. Para russos e chineses, os sírios que se danem!
José Roitberg - jornalista
Terça-feira, Janeiro 31
Judeus são descendentes dos macacos e porcos!
Essa é uma afirmação recorrente dos discursos e prédicas religiosas muçlulmanas disponíveis nos últimos 15 anos, mas deve ser bem anterior. Recentemente, o sheik Abd Al-Jalil Al-Karouri é o mais importante clérigo muçulmano do Sudão foi mais além. Essa declaração seria só racismo ou teria fundo religioso?
Porcos, como uma ofensa relacionado à proibição do consumo de carne-de-porco?
Macacos, relacionado com Darwin e não com o mito da criação?
Não é nada disso. Al-Karouri não só disse que isso estava escrito no Corão, como também constaria no livro que Deus (Allah) teria transformado todos os judeus de Eilat em macacos e porcos (Eilat nem existia) e que os judeus são descendentes destes castigados por Deus que viviam em Eilat.
Resolvi correr atrás e consultei o Corão. Obviamente, não há nenhuma citação à Eilat, como não há nenhuma à Jerusalém, seja pelo nome hebraico ou árabe. As cidades fora da Arábia não foram citadas.
Essa coisa dos animais vem da Surat Al-Mā'idah, uma das mais violentas contra judeus e cristãos.
No verso 5:60 está escrito que "aqueles que Deus amaldiçoou (os judeus) e com quem Ele ficou furioso, os transformou (no passado) em macacos e porcos e escravos de Taghut."
Essa palavra, Taghut não é uma pessoa ou povo. Seria o último estágio da descrença em Deus e creio que podemos definir como "politeísta". Então teríamos que "no passado, Deus transformou os judeus em macacos e porcos e os fez escravos dos politeístas."
Estaria isso se referindo à escravidão dos Hebreus no Egito? Não há como saber, mas parece que sim.
Assim, temos no cerne da religião muçulmana ou islâmica - como a mídia está preferindo atualmente - um certificação divina, passada pelo profeta Maomé e seguida pelos "submissos" a ferro e fogo de que os judeus não são seres humanos, pois descendentes de macacos e porcos não podem ser homens "como nós."
Quinta-feira, Janeiro 26
Morre cantor de Hilter
Eles sempre estiveram por aí. Johannes Heesters, o cantor favorito de Hitler teve uma londa vida. Morreu ontem, aos 108 anos de idade
Quarta-feira, Janeiro 25
Irlandeses perdoados por lutar contra Hitler
Sin Fein (separatistas irlandeses) vota para perdoar soldados que desertaram para lutar contra Hilter na Segunda Guerra Mundial, são 6 mil
Surgem fotos coloridas desconhecidas de Hilter
Surgem fotos coloridas desconhecidas de Hilter e suas propriedades tiradas por Hugo Jaeger fotógrafo dele de 1936-45. Vale a pena dar uma olhada na matéria em inglês http://www.dailymail.co.uk/news/article-2091261/Inside-Hitlers-private-world-Wartime-pictures-rooms-Fuhrer-spent-quiet-time.html
Quarta-feira, Novembro 9
A Noite do Terror
Ao longo dos anos
assistimos, presenciamos ou deixamos de lado a lembrança do "ponto de não
retorno" para os judeus na Europa, a especificamente mal nominada Noite
dos Cristais ou Noite dos Cristais Quebrados. É um nome alegórico, até mesmo
romântico e especificamente inadequado para a compreensão do que aconteceu.
Noite do Terror seria o mais adequado. Noite da Caça aos Judeus, seria um bom
título. Noite das Sinagogas Queimadas, seria o especificamente correto.
Quando eu era pequeno
imaginava Berlim e suas ruas de cristal... O nome se refere às vitrines
quebradas e nenhuma delas era de cristal. Eram de vidro como qualquer vitrine.
O termo em alemão Reichskristallnacht - A Noite dos Cristais do Império - foi criado pela chancelaria nazista e
pela sua agência oficial de notícias. Até hoje se escuta por aí: "E a luz
do luar sobre os cacos das vitrines destruídas fazia-os brilhar e tilintar como
a luz num candelabro de cristal..." Bizarro, mas escrito por
sobreviventes. Acho lamentável que o adotemos sem críticas até hoje.
Se formos perguntar por aí, a maioria dos judeus que acha que sabe o
que foi, vai dizer que aconteceu na Alemanha. Só que o Reich, o "Império" Alemão naquele novembro de 1938 já incluía a Áustria
e a Tchecoslováquia, anexadas alguns meses antes. E o maior pogrom da história
- ataque a judeus pela população e autoridades - foi simultâneo nos três
países. A propagação do conceito de que foi só na Alemanha é dos próprios
sobreviventes do Holocausto. No Brasil este conceito é bem arraigado pois
recebemos uma boa quantidade de judeus alemães a partir de 1933 e após a
guerra. E eles não sabiam realmente o que tinha havido nos outros países.
Existe a versão alemã: um judeu polonês na França atirou num secretário
da embaixada a alemã e ele veio a falecer - no dia seguinte a população
revoltada atacou os judeus e foi controlada pelo governo.
Mas o pano de fundo é outro. Esse ataque estava preparado e aguardando
um momento político adequado para acontecer. Mais cedo, pouco menos de um mês
antes, foi feito um recadastramento obrigatório de todos os judeus, seus
comércios, indústrias e imóveis comunitários e residenciais. Esta "Lista
de Hitler", se tornou a lista para o ataque da Noite do Terror. Alguns
dias antes foi proibida a posse de armas por judeus, que deveriam ir
imediatamente às delegacias entregar suas armas sob pena de prisão. E assim
desarmou-se qualquer tentativa de reação.
Os jornais do dia 9, com nota da United Press do dia 8, mostram um
esquecido ensaio para o dia 10. Poucos jornais publicaram esta nota e a falta
de reação ao balão de ensaio deve ter dado o sinal branco (os nazis não usavam
sinal verde, por causa dos daltônicos) para a Noite do Terror. No dia 8 de
novembro manifestantes fizeram várias demonstrações contra os judeus na cidade
de Kassel, depredaram as lojas de judeus, quebraram suas vitrines, invadiram a
sinagoga e destruíram seu interior. Balão de ensaio mesmo.
O momento político era adequado e o ataque a Von Rath o secretário da
embaixada foi no timming exato. Alguns historiadores acham que Rath foi vítima
dos nazis e foi morto no hospital para aproveitar o caso. Os Estados Unidos
estavam em eleição presidencial, Ataturk morria na Turquia, o Japão conseguia
vitórias decisivas na China e no dia 10 de novembro estavam programadas as
cerimônias pelos 20 anos do final da Primeira Guerra Mundial, com a derrota
alemã. Vale dizer que o dia do armistício foi varrido dos noticiários e
substituído pelo ataques aos judeus. Não esqueça que Hitler tinha na sua cabeça
demente que os judeus eram os culpados pela derrota alemã na WW1.
E você não deve jamais ter ouvido falar, mas na tarde do dia 9 as
potências ocidentais rejeitam uma proposta de Partilha da Palestina em um
Estado Judeu e um Estado Árabe, proposta que seria retomada 9 anos e 6 milhões
de mortos depois.
Certamente você nunca ouviu falar da reação da mídia em relação a Noite
do Terror. Eu garanto a você: foi total e avassaladora! Qual foi o resultado
disso na opinião pública e nas comunidades judaicas? Praticamente nenhum.
Os números da Noite do Terror você vê ao longo do artigo. O importante
aqui é compreendermos o que as pessoas comuns, os empresários, políticos e
formadores de opinião perceberam sobre os fatos e porque a reação não
aconteceu, ou aconteceu de forma ineficaz.
A mídia dominante de 1938 era o jornal. E era um jornal muito maior,
consistente, veloz e contundente que os jornais atuais. A maioria das agências
de notícias que existem hoje, já atuavam há anos naquele momento. Além do
telégrafo, havia fotos enviadas por rádio. E os jornais não a meia-noite como
atualmente. Os jornais de maior circulação tinham três ou até quatro edições ao
longo do dia e as notícias iam mudando, sendo atualizadas e dando lugar a novas
- não eram cópias da primeira edição. Havia jornais que chegavam às ruas no
movimento de ir para o trabalho, no almoço e para o movimento de volta do
trabalho. Alguns eram apenas vespertinos. Então o que vemos hoje como
atualização ao longo do dia na internet, havia ao longo do dia em papel. Algo
que acontecia na guerra entre Japão e China era publicado com foto no mesmo dia
nos Estados Unidos. A notícia dos rincões do mundo circulava praticamente na
mesma velocidade atual.
A diferença de fusos horários permitiu que os jornais da costa leste
(NY) dos EUA e no Brasil, já saíssem com as manchetes de primeira página na
manhã do dia 10 (antes dos jornais alemães) e os jornais do centro e costa
oeste (LA) já com matérias densas e completas na manhã do dia 10. A Inglaterra
e a França só foram noticiadas em seus vespertinos e mais densamente no dia 11.
Não é aqui que vou alinhar os títulos das matérias. Basta sabermos que
estavam na primeira página de todos os jornais com dezenas de notas curtas dos
correspondentes da United Press (ainda não era UPI) e da Associated Press (já
era AP), além da agência alemã com a visão oficial. UP e AP cobriam até mesmo
os discursos de Hitler, publicados em todo o mundo. As notas publicadas no
Jornal do Brasil e na Folha de São Paulo não eram as mesmas dos jornais
americanos. Aqui no Brasil se noticiou até mesmo uma gama maior de fatos que
nos EUA.
Até o dia 15 de novembro o assunto não saiu das primeiras páginas com o
tema de "aumenta a perseguição aos judeus na Alemanha." A
especificação das principais sinagogas destruídas (com fotos), das prisões de
populações inteiras (com fotos) como a de todos os homens judeus de Munique, a
destruição sistemática de cada um dos negócios e comércios de judeus, a ordem
para os bombeiro não apagarem os incêndios, estava tudo nos jornais para todos
lerem e verem.
O que não havia naquele momento, e a maioria das pessoas sequer
compreende esse número nos dias de hoje, é que TODAS as sinagogas da Alemanha,
Áustria e Tchecoslováquia tinham sido destruídas. Só na Alemanha foram cerca de
200. E esse é o número que não dá para compreender. Vivemos em cidades imensas com
25 ou 40 sinagogas no Brasil. Algumas comunidades judaicas estão em cidades com
uma ou três. Então como compreender que havia 200 na Alemanha? E destas 200 a
maior parte era enorme. Eram sinagogas de um quarteirão. Mas havia. E o governo
nazi sequer se vangloriou sobre este número preferindo se calar a respeito.
Os judeus dos três países não puderam contar ao mundo o que aconteceu
realmente, pois nos cinco dias seguintes houve uma avalanche de leis contra os
judeus. Fechamento de todos os jornais, revistas e editoras. Recolhimento dos
aparelhos de rádio. Fechamento de todas as intuições dirigentes comunitárias
(como federações e beneficentes) com prisão de todos os dirigentes
comunitários. No dia 12, o governo nazi estipulou uma multa, na verdade um
confisco de um bilhão de marcos a serem pagos imediatamente pelos judeus
"por danos causados a sociedade alemã devido ao incêndio espontâneo das
sinagogas." Não era mais um número de hiperinflação. Notícias de jornal
afirmam que esse valor - que foi realmente pago - significava 25% de toda a
posse financeira dos judeus alemães (contas, propriedades, aplicações). Mas é
preciso levar em conta que no dia 12 os negócios e as empresas não existiam
mais e o patrimônio das sinagogas também não. Assim esse bilhão é muito maior
que parece.
Então em cinco dias os judeus ficaram sem sinagogas (incluindo praticamente
todos os rolos de torah, livros e objetos litúrgicos e religiosos), sem acesso
à informação que não fosse do Estado, sem produzir informação, sem lideranças, sem
rabinos, sem homens em muitas cidades, sem trabalho, sem renda, sem rumo. Veja
bem! Não são cristais quebrados! São vidas estilhaçadas!
O número de mortos no pogrom só na Alemanha foi de 91 judeus. Dos
presos no dia 9-10 e enviados para Dachau (em Munique) mais de 2.400 morreram.
O número total de judeus presos e enviados para campos de concentração, segundo
os historiadores foi de 30.000, mas segundo os jornais da época foram 56.000 -
havia cerca de 320 mil judeus na Alemanha naquela momento. Os negócios de
judeus atacados e saqueados na Alemanha chegaram a 7.500 lojas e 29 lojas de
departamentos. Não havia mais industrias pertencentes a judeus.
Da comunidade judaica alemã de 1933 com meio milhão de pessoas na
Alemanha, mais de 115 mil judeus saíram da Alemanha nos meses seguintes. A
imigração de judeus alemães e austríacos ficou aberta até setembro de 1941
pouco antes da invasão da União Soviética.
E aí vem outro drama. Plenamente noticiada a perseguição sistemática
dos judeus na Alemanha, nenhum país abriu suas portas para a imigração. Manchete
do Jornal do Brasil de 17 de novembro de 1938: "Estuda-se um plano de
imigração imediatados judeus alemãe para o Brasil". Isso nunca aconteceu. Pelo
contrário: Inglaterra e Estados Unidos fecharam porta e estabeleceram quotas
insuficientes e que mesmo assim nunca foram preenchidas. Para um judeu sair da
Alemanha até 1941 ele precisa mostrar o visto de entrada em outro país. Se o
tivesse, não teria maiores problemas. Países como o Brasil e Argentina não
alteraram sua política de imigração que aceitava trabalhadores rurais. Mas a
sociedade judaica alemã era urbana e isso decretou sua morte.
Este momento após a Noite do Terror também marca a imigração dos judeus
para Xangai e é preciso explicar isso. Na guerra contra a China, os japoneses
invadiram Xangai e ocuparam sua área industrial e de classe populacional mais
baixa. Pararam por ali porque a outra parte da cidade era controlada pela
Inglaterra e uma terceira parte menor, pela França. Os judeus que foram da
Alemanha para Xangai, quase 20 mil, foram para parte inglesa... Você acha?
Negativo. Foram para aparte japonesa. Os japoneses não exigiam visto e
aceitavam qualquer imigrante que desembarcasse, sem perguntas. Já o lado inglês
e francês bateram suas portas aos judeus. Nestas áreas havia judeus ingleses e
russos. Posteriormente, quando o Japão compôs o Eixo com Alemanha e Itália e
invadiu o lado "ocidental" de Xangai, os judeus ingleses, franceses e
russos foram presos como "cidadãos de países inimigos" e os judeus
alemães não foram presos na condição estranha de "cidadãos de país
aliado." Os a japoneses em Xangai prezavam principalmente os profissionais
judeus da área de saúde com ótima formação europeia. A liberdade era tão grande
que havia pelo menos cinco jornais semanais judaicos editados em alemão.
Com a perspectiva histórica correta, sabemos que a intenção nazista
inicial era a de que os judeus fossem embora da Alemanha e para isso lhes foi
retirada o sustento e a cidadania. Cerca da metade foi. Se os outros países não
tivessem fechado suas portas este judeus alemães poderia ter sobrevivido. Mas
não se pode especular se o destino dos judeus soviéticos e poloneses teria sido
diferente.
E a reação dos comunidades judaicas? Não podemos imaginar que em 1938
elas existiam de fato como instituições consolidadas. Aqui no Brasil os
imigrantes russos e soviéticos do final do século 19 e início do 20 ainda
estavam lutando para consolidar o que estabeleceram. HAvia uma luta comunitária
real e desgastante entre os judeus comunistas e os sionistas. Financeiramente estamos
falando basicamente de pequenos comércios e de prestamistas. São pessoas que em
sua maioria mal falam o português. A mídia judaica importante no Brasil era em
yidish e alemão. Foram proibidos pelo governo Vargas apenas em 1940. O programa
de rádio Hora Yidish foi fundado exatamente em 1938. Não olhe para 1938 e
imagine redes de lojas, construtoras, financistas, especuladores, investidores,
poder econômico, político e social. Não havia nada disso. Não havia como exercer pressão. E nos EUA não
era tão diferente assim apesar do maior volume, sem contar que era o país da
segregação racial completa entre brancos e negros, e os judeus eram brancos. Em
meu arquivo possuo uma foto de um bar de estrada entre Baltimore e Washington,
caminho do poder, com uma placa: "atendemos negros e judeus" - isso
deve bastar para compreender o real "poder" judaico americano na
época. As comunidades sequer tinham órgãos políticos ou voz para se expressar
publicamente.
Hoje, grupos que são contra os judeus acham que as lideranças judaicas
no Brasil tem que pressionar Israel para "liberar" os palestinos,
imaginando que há esta ligação e que há essa relevância, quando não há. As
lideranças não conseguem pressionar nem pelo que precisam, muito menos pelo que
estas pessoa querem nos impor, com todo o poder social acumulado até hoje.
Imaginar que em 1938 os judeus poderiam pressionar Vargas ou até mesmo Hilter é
imaginar muito errado.
O governo americano e o inglês foram velozes e incisivos falando contra
Hitler e pelos judeus. Mas olhe o discurso destes governos hoje, sobre os temas
atuais, e você percebe que o que os estadistas falam realmente não capaz de
produzir efeitos reais.
Os grandes jornais americanos são especificamente isentos e alienados
em relação ao nazismo. Falam de "her Hitler" em 1938 como falam da
Angela Merkel hoje. Não há sequer um editorial de opinião condenando o que se
fazia contra os judeus e contra os fatos do dia 10, ou contra o rearmamento
alemão. Se hoje achamos que nossos jornais publicam o noticiário internacional
com "copiar&colar" as notas prontas das agências internacionais,
naquela época era exatamente igual. Não há elaboração das notícias. Só há
colagem. Já os jornais do interior sentam o cacete no nazismo. São jornais do cinturão
cristão americano e bem engajados na denúncia do nazismo e em favor dos judeus,
mas sem influência real nas decisões de estado.
Já os jornais brasileiros além de publicar as notas das agências, são
simpáticos ao nazismo, principalmente o Jornal do Brasil, peça fundamental no
Rio de Janeiro, capital da república. Há uma preferência na localização da
publicação das notas oficiais do governo nazista. Mas não se pode acusar o JB
de não ter noticiado o que se passava com os judeus. Ao longo de novembro chegou a criar uma coluna
fixa sobre a perseguição aos judeus na Alemanha, várias vezes com uma página
inteira de pequenas notas de agências. Quem quis ler, leu. A comunidade judaica
não guarda em sua memória esta leitura e hoje é complicadíssimo ter acesso aos
exemplares do Idishe Press daqueles dias e saber o que era tratado nele. Pelo
abismo da língua, poucos devem ter lido.
Em relação à Folha de São Paulo (então Folha da Manhã) a situação é
pior. No dia 10 em sua primeira página a notícia importante é a morte do Von
Rath. Mas no dia as coisas são restabelecidas. Além de divulgar bem as notas,
ela publicou um editorial para o leitor paulista entender o que era "o
judeu" e porque ele estava sendo perseguido na Alemanha. Esse editorial
praticamente justifica a perseguição e vai de "Judeu Errante em pátria"
para lá. Hoje, seria enquadrado como um editorial antissemita. Nos jornais da
época não encontrei cartas de leitores que falassem sobre o nazismo, indicando
que certamente eram censuradas e não escolhidas.
Infelizmente, hoje a noite, por todos os países será repetida a
lenga-lenga da "Noite dos Cristais" com seu dados e informações
suavizadas e descontextualizadas. Se você chegou até aqui, recebeu uma
informação melhor.
José
Roitberg - jornalista - 09-nov-2011
Coordenador
do Vaad Hashoa Brasil - Comitê do Holocausto Brasil
Yad Vashem
Yad Vashem
CC 2.5 - liberado para publicação desde
que citada a fonte e o autor
Quinta-feira, Outubro 27
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Terça-feira, Outubro 11
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Sexta-feira, Junho 3
Noite dos Cristais sob os céus de Bagdá
Quem não conhece seu passado está condenado ao futuro. Não é esta a citação famosa, mas é neste formato que eu gosto dela. Primeiro de junho de 1941. Uma data que não diz nada a você. E não diz por quê? Porque ela não existe para o ensino judaico, não é citada nas escolas, nas yeshivot, nos movimentos juvenis.
O sistema de ensino acaba sempre por escolher o que ensinar e, caramba! São árabes! O que nos importa? E esse preconceito intrínseco aos judeus de origem européia, eu incluso (origem, não preconceito), é forte até os dias de hoje. Pouco se mostra, se recorda e se ensina sobre os judeus arabes, ou "sefaradim-aravim" como várias correntes religiosas adotam em Israel.
Quase três anos depois da Noite dos Cristais na Alemanha, Áustria e Tchecoeslováquia, foi a vez dos judeus de Bagdá serem atacados pelo Estado. Os pogroms e ataques violentos e fatais contra os judeus começaram no Oriente Médio anos antes do nazismo chegar ao poder e não são relacionados com a perseguição sórdida movida por Hitler. O antissemitismo islâmico tem suas próprias raízes históricas, seus próprios textos e homens chave. Matar os judeus, para eles, não exige uma desculpa nazista.
Como no Irã, então Pérsia, os judeus estavam no Iraque há mais de 2.500 anos, portanto, uns mil anos antes da chegada de árabes muçulmanos. Mas a propaganda islâmica de 1940 era de que os judeus eram estrangeiros no país que habitaram primeiro, talvez desde o Jardim do Éden. A comunidade judaica iraquiana de 1941 era a mais próspera e culta do Oriente Médio, com 90.000 pessoas.
O ataque, o pogrom do dia 1 de junho foi realizado por soldados iraquianos, policiais e gangues paramilitares que abriram caminho para a população incitada. 150 judeus foram assassinados barbaramente, centenas ficaram feridos (não havendo documentação para ser consultada) e cera de 600 comércios de judeus foram depredados e saqueados, apenas na capital do Iraque.
Para ter uma medida exata do que representou esse massacre para os judeus do mundo ocidental, basta dizer que não foi noticiado nos jornais.
Note que esse massacre ocorre 3 meses ANTES dos povos do leste europeu "liberados" pelos nazistas do jugo soviético, começarem a exterminar seus vizinhos judeus e limpar etnicamente sua Ucrânia, sua Lituânia, sua Estônia, sua Bielorússia, sua Bessarábia etc. Este pogrom não está relacionado oficialmente com o Holocausto, mas faz parte do contexto.
E de quem é a culpa? Quanto mais estudo e escrevo sobre o massacre de judeus no século 20, mais me convenço de que a parcela maior de culpa é da Inglaterra. O Iraque teve uma tomada de poder nazista antes de 1941 e estava sob ocupação britânica. Os militares da rainha nada fizeram para impedir o ataque aos judeus, para deter o ataque aos judeus ou para prender e punir os assassinos dos judeus.
E já tinham experiência com isso desde o Massacre de Hevron em 1929, quando ficaram observando a turba árabe da cidade estuprar e trucidar seus judeus, e em outras ocasiões na Palestina do Mandato. O comportamento britânico foi esse em TODAS as vezes que árabes partiram para cima dos judeus, inclusive após o Holocausto, nos pogroms da Líbia em novembro de 1945 e de Aden, o Iemem, em dezembro de 1945.
A situação é tão complicada com a questão iraquiana, que mesmo depois destes anos todos sob ocupação americana e com um governo local, o Iraque continua em estado de guerra com Israel, pois jamais assinou o Armistício da Guerra de 1948, quando sete países árabes tentaram continuar com Holocausto nazista varrendo Israel do mapa e incitando seus soldados e paramilitares a matar todos os que encontrassem pela frente.
Quinta-feira, Maio 19
A DAIA e o Google
Francamente não entendi o que está ocorrendo. Os argentinos alegam que ao entrar com termos judaicos - nenhum deles foi publicado em notícia alguma - na busca do Google, surgiam basicamente sites antissemitas e negadores do Holocausto.
Abri o Google da Argentina e entrei com os termos judaicos mais comuns em espanhol, inclusive "holocausto." Não surgiu nada demais. Em português no nosso Google.br também não.
É bom que todos saibam que se vc estiver logado com uma conta Gmail ou outra do Google o sistema vai mudar o ranking das páginas para apresentar resultado mais afeitos ao seu perfil. Assim, se vc usar um computador para pesquisar sites nazis pelo Google, NAQUELE perifl, DAQUELA conta, eles serão apresentados mais acima do ranking que numa máquina que não os pesquisou.
Por outro lado, há anos nós dizemos que é praticamente impossível encontrar sites judaicos onde hajam as palavras "judeu", "judaico", "hitler", "nazista" por exemplo. Essas palavras estão nos textos de sites antissemitas e não nos judaicos.
Segundo o divulgado até o momento, um juiz acatou o pedido da DAIA para remover links na pesquisa do Google e a empresa ainda não tinha recebido nenhuma ordem judicial, portanto, nada foi feito.
O curioso é que se forem removidos links baseados em palavras chave, como parece que os hermanos exigem, devem ser removidas as páginas históricas, judaicas ou não, sobre nazismo, holocausto e judaísmo também. Ou será que haverá uma comissão de censura que diga esta pode e aquela não pode? Na Google? Duvido.
Mas há algo que me assusta: é a pura imaginação da DAIA de que o Google é o sistema de busca e pesquisa único. Gente! Todo mundo sabe (menos a DAIA). São dezenas, senão centenas de serviços semelhantes, alguns compartilhando índices, mas outro não. Tirar algo do Google é irrelevante. A DAIA vai entrar contra cada provedor de pesquisa? Será que eles já abriram a Wikipedia para ver o que há de antissemitismo e propaganda por lá?
E talvez alguém lá da Argentina deveria responder porque a DAIA nunca foi contra o Clarin (equivalente ao Globo) que hospeda há uns 15 anos ou mais o portal Ciudad de Libre Opinion, criado por Alessandro Biondini, o líder nazista aberto argentino, onde há dezenas de sites nazi em espanhol e português para o mundo inteiro. Há alguns anos, a CONIB junto com o governo brasileiro conseguiram remover deste provedor todos os sites de grupos nazistas brasileiros. Mas os argentinos não removeram sequer os deles próprios.
José Roitberg - jornalista
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