segunda-feira, maio 10

Nazis queimam 25 mil livros na praça pública












"Aqueles que queimam livros, acabarão por queimar pessoas". As palavras do poeta judeu alemão Heinrich Heine, escritas no início do século XIX, revelar-se-iam proféticas. Heine foi um dos muitos escritores cujos livros foram queimados a 10 de Maio de 1933 na praça pública, em várias cidades alemãs, num dos primeiros sinais da intolerância nazi.

As queimas de livros têm uma história longa - merecem uma entrada na Wikipédia com 80 exemplos. A queima apoiada pelos nazis (a chamada Bücherverbrennung) tinha um antecedente no século XIX. Em 1817, associações de estudantes decidiram queimar livros que viam como "não-alemães".

A ideia repetiu-se em 1933, com o apoio do ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, que tinha na Associação de Estudantes Nacional Socialistas um importante aliado.

A 6 de Abril de 1933, a associação proclamou uma acção nacional contra "o espírito não-alemão". Fizeram-se listas de escritores tidos como contrários à ideologia nazi, procurou-se fazer das universidades centros nacionalistas.

A campanha teve como auge a Bücherverbrennung: 25 mil livros queimados em 34 cidades universitárias, em rituais em que compareceram oficiais nazi, reitores, professores e estudantes. "Não à decadência e à corrupção moral", declarou Goebbels. "Sim à decência e à moralidade na família e no Estado! Entrego às chamas os escritos de Heinrich Mann, Ernst Gläser, Erich Kästner [alemães críticos do regime de Hitler]".

A lista de obras queimadas podia continuar: socialistas como Bertolt Brecht e Karl Marx foram alvos óbvios, mas também escritores como Ernest Hemingway, Jack London e Helen Keller, "influências estrangeiras corruptoras", e até Albert Einstein, alemão de origem judia, Nobel da Física em 1921.

Obs José Roitberg: por mais terrível que seja este momento, há uma certa "sorte poética." Ao considerar as obras de Einstein e outros físicos judeus como "física judia degenerada" queimando-a e deixando de ensiná-la, os nazistas perderam o trem a energia nuclear. Todos os cientistas judeus e alguns não judeus saíram da Alemanha enquanto puderam. Não tivesse a física nuclear sido a "física judia degenerada" certamente Hitler teria tido a Bomba antes dos americanos e talvez estivéssemos hoje (eu não - estaria morto ou nem teria nascido) comemorando esta data ao invés de relembrá-la.

Um comentário:

  1. Antonio da Silva Ortega16 de mai de 2010 13:30:00

    Lamentávelmente, quando é relembrado esta queima de livros realizada pelo Estado Nazista alemão no dia 10 de maio de 1933, quero lembrar a todos que nesta data presente, professores da Rede Pública Estadual em manifestação grevista, queimaram livros em plena Avenida Paulista, equiparando-se aos nazistas que realizaram o mesmo crime a 77 anos atrás.

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