Mostrando postagens com marcador Ahmadinejad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ahmadinejad. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, janeiro 29

São Dois Para Lá e Dois Para Cá: Cháves e Ahmadinejad

Ao mesmo tempo as tropas de Cháves mataram dois estudantes nas manifestações em Caracas e o partido no poder no Brasil, seus políticos eleitos e não eleitos APLAUDEM e se integram cada vez mais a esta ideologia, encontro do fascismo com o comunismo. Em terra de ditadura islamofacista ou bolivariana, em se opõe é morto! E ponto final. Só há uma opção para entender o motivo de alguns governos apoiarem governos assassinos de seus dissidentes: a pretenção de fazer o mesmo quando possível. E Cháves avisa em rede de TV: me provoquem e eu faço uma revolução comunista aqui... Aí, minha gente: paredón!!!

Irã executa dois ativistas políticos condenados por protestos

http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/01/28/ira-executa-dois-ativistas-politicos-condenados-por-protestos.jhtm

O governo do Irã anunciou nesta quinta-feira a execução de dois homens presos durante os protestos políticos desencadeados pela polêmica em torno das eleições realizadas no país no ano passado.

"Após os confrontos e eventos antirrevolucionários dos últimos meses, um tribunal islâmico revolucionário considerou os casos de alguns acusados e determinou a sentença de morte para 11 deles", afirma a agência de notícias iraniana Isna, citando o pronunciamento da promotoria.

"As sentenças contra dois destes indivíduos foram cumpridas neste amanhecer, e os acusados foram enforcados", acrescenta o texto.

Os condenados, Mohammad Reza Ali-Zamani e Arash Rahmanipour, perderam os recursos que apresentaram contra a decisão. Os outros nove condenados ainda têm seus pedidos de revisão de sentença sendo avaliados.

Ali-Zamani e Rahmanipour eram apontados pelas autoridades iranianas como "inimigos de Deus" e membros de grupos armados e eram acusados de tentar derrubar o Estado islâmico.

Reação As execuções dos dois ativistas políticos iranianos foram condenadas pela ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

"Essas execuções chocantes mostram que as autoridades iranianas não vão parar diante de nada para reprimir os protestos pacíficos que ocorrem desde as eleições", disse Hassiba Hadj Sahraoui, diretor da entidade para o Oriente Médio e o Norte da África.

"Estes homens foram condenados injustamente e injustamente mortos", acrescentou. "Não está claro nem sequer se eles tinham ligação com um grupo (como foi alegado), já que suas confissões foram extraídas sob duras condições." Os sentenciados foram acusados de pertencerem a um grupo proibido que defende a monarquia, a Assembléia do Reino do Irã (Anjoman-e Padeshahi-e Iran).

Nasrin Sotoudeh, advogada de Rahmanipour, que tinha 19 anos quando foi preso, diz que seu cliente "confessou (os crimes) por causa de ameaças feitas à sua família".

Pelo menos 30 manifestantes foram mortos em confrontos desde as eleições, embora a oposição diga que o número de mortos supere 70. Milhares foram detidos e cerca de 200 ativistas permanecem presos.

Correspondentes dizem que as execuções devem inflamar os ânimos antes dos próximos protestos populares, marcados para 11 de fevereiro, data do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

Os protestos começaram em junho do ano passado, após alegações de fraude nas eleições presidenciais que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad. 

segunda-feira, novembro 16

Armadinejad seja bem vindo ao Brasil

Carta aberta ao presidente do Irã.

Tenho a certeza de que será uma das piores viagens oficiais de sua vida.

Vai encontrar aqui um país cristão, coisa que abomina. Vai ter que se encontrar com políticos e empresários que usam gravatas, acessório proibido pelo código de vestimentas (lei no Irã) porque na visão xiita a gravata simboliza uma cruz em torno do pescoço dos homens. E verá mais de 5 cores de ternos, outra coisa também proibida no Irã.

Espero que passe por nossas praias e não fique olhando para o chão do carro, pois precisa se confrontar com a liberdade ocidental de expor o corpo humano vivo e não os cadáveres. Precisará se controlar para não dar uma olhadinha em nossas beldades desnudas não só nas praias, mas com vestidinhos de Geisy por todos os cantos. Imagine o que é isso para alguém que defende a burka? É o próprio Faya, o Inferno muçulmano.

Mas seja bem vindo aqui Ahmadinejad. Espero que se encontre com o presidente Lula em seu gabinete, veja a Bíblia sobre a mesa, veja a mezuza na porta ao lado na sala da Clara Ant. E pense muito bem no que fazer: apertar a mão de uma judia comunista de rosto descoberto e tornozelos de fora? Que dilema teológico...

Mas seja bem vindo Ahmadinejad. Depois de se esquivar da Clara Ant, que como assessora pode até ser posta de lado, mas aí resta o Marco Aurélio Garcia, que deixa a Clara no ponto mais a direita da esquerda com sua mente sovietizada e cubanizada. Ih Ahamdinejad: você acabou com os comunistas no Irã. O que vai dizer aos nossos aqui (alguns deles o defendem hein...), a maioria, muito mais neo-liberal que de esquerda, mas não tem saída: neo-liberalismo também não é sua praia. E depois de se esquivar de um, sempre virá outro: uma grande lista de judeus e esquerdistas de fato no poder. Não são brinquedinhos buchechudos como na Venezuela. Aqui a esquerda é de raiz!

Mas seja bem vindo Ahmadinejad. Venha ver um país de 190 milhões de pessoas de todas as origens e religiões que não se matam e não disputam o poder para matar as outras, se é que isso faz algum sentido para você. Pergunte como se faz uma eleição sem fraude.

Tem umas coisas aqui que você precisava conhecer para ampliar seus horizontes mas não vai rolar. Não vai ao Corcovado. Não vai ao Pão de Açúcar, não vai dar uma volta no Saara no Rio ou na 25 de Março em São Paulo. Não vai ter uma almoço fechado no Porcão, até porque você, como muçulmano, come kosher também. Aliás, se quiser levar um salame antes voltar, passe aqui na Bolivar 45. Dá até para parar o carro na baia de descarga e tomar um café: eu pago! Aproveite para ver o que nossos vizinhos cristãos iraquianos pensam de você. Posso até marcar com uns amigos bahais. É! Tem bahais no Brasil também, religião que os xiitas escorraçaram da Pérsia e depois do Irã, tendo que se refugiar em Haifa, ainda no domínio Otomano. Ih, esqueci: tem turco para caramba aqui no Brasil. Tem libanês cristão para todos os lados. Mais libaneses e descendentes de libaneses que no próprio Líbano.

Aqui é um lugar interessante para você conhecer, pena que vai ficar acossado entre a mídia e a política e não verá nosso povo.

Pessoalmente não tenho nada contra você. Não fico nem um pouco impressionado com mais um líder muçulmano dizendo que vai varrer Israel do mapa. Pode tentar. Em 1948 quando eram fortes e os judeus fracos, não conseguiram. Depois Nasser tinha o seu discurso. Depois Sadat tinha o seu discurso. Depois Shuqueiri e Arafat tinham o seu discurso. Depois Assad (pai) tinha seu discurso. Depois Saddam, seu inimigo mortal tinha o seu discurso. Você é professor. A história lhe interessa. Olhe para trás e veja onde estão e o que conseguiram. Pelo menos podia ser original em seu discurso.

Nem seus arroubos de negação do Holcausto a cada vez que o petróleo está baixo me incomodam. Você é o presidente, mas não é o poder. Você não me preocupa e nem sei o quanto dos coisas que faz ou diz são realmente suas ou você é apenas o porta voz da junta teológica que domina os persas.

Não é aqui no Brasil que alguém vai te lembrar que é dirigente do único país xiita entre outros 53 países sunitas e que maios ou menos 1 bilhão de muçulmanos não vão com a sua cara enquanto só uns 13 milhões de judeus tem algo contra você. Isso não vão te dizer aqui. Não vão dizer que o Irã tem relações diplomáticas com menos países islâmicos que Israel. E ninguém vai chegar até você numa entrevista e perguntar: "Presidente, para que essa bobagem de dizer que Israel tem que ser varrido do mapa? Seu obejtivo não é triunfar onde seus antepassados xiitas fracassaram e retomar Meca? Abrir Meca para os persas e varrer o domínio árabe sobre o Islã no Golfo?"  Não é essa a agenda verdadeira iraniana verdadeira? Vcs também seguem Sun Tzu não seguem? Faça o inimigo achar que vc está longe quando está perto...

Sei que você pode jogar a Bomba sobre Israel pois são apenas judeus, cristãos, bahais e sunitas por lá. Todos infiéis na visão. Mas você acredita que Israel tem 300 Bombas. Um monte de gente acredita. É blefe? É real? Mas a família real saudita não tem nenhuma né? Será que alguém ataca você se a Bomba cair em Ryad e não em Jerusalém? Pessoalmente, acho que não. Mas se eu fosse você ficaria com o pé atrás e mandava investigar a fundo todo mundo que está em seu programa nuclear. Você acreditaria se eu disse que algum dos cientistas paquistaneses pode ser um agente taliban da Al Qaeda, sua inimiga mortal, pronto para fazer um ataque suicida nuclear em suas instalações? Vocês são persas. São inteligentes. Sabem quem são seus reais inimigos. Sabem que sempre foram os árabes, os sunitas e agora os talibans. Depois de 10 anos de guerra com os sunitas iraquianos seus aiatolás quase atacaram o Afeganistão sob domínio taliban por 3 vezes. Só não fizeram porque foram um pouco mais espertos e deixaram os ocidentais se ferrarem por lá, como os soviéticos, sem conseguir resolver nada.

Mas seja bem vindo. Venha e ouça o que precisa ouvir! Venha e ouça o que precisa ser dito. Vai ser insuportável para você. Assine um contrato para uma área do pré-sal pois seu petróleo está acabando e você sabe disso melhor que ninguém.

E tenha uma certeza caro presidente: Israel não vai construir o segundo Yad Vashem, o segundo Museu do Holocausto. Mas se o Irã realmente enveredar pelo caminho da chantagem atômica, vocês poderão acabar tendo que construir o seu primeiro museu....

José Roitberg - jornalista

quinta-feira, outubro 15

Rússia critica declarações do presidente iraniano sobre Holocausto

(obs: José Roitberg - Finalmente a Rússia abriu a boca! Como é possível que a geopolítica dos últimos anos também apagasse  o drama soviético? Negar o Holocausto, para os russos, também é afirmar que 1,5 milhões de seus cidadãos judeus soviéticos não foram assassinados pelos grupos de ação (Eizatsgruppen) e um total de 20 milhões de russos não tenham morrido na Segunda Guerra Mundial. É negar que milhões de soldados prisioneiros de guerra russos feitos pelos nazistas não foram  deixados a morte em campos de prisioneiros, não foram assassinados em marchas da morte, não tenham compartilhado do destino de judeus e outros nos campos de concentração. Digo soldados, mas também cabos e sargentos, porque todos os oficiais russos eram executados no momento da prisão. Houve o revide. Isso é inegável. Pouquíssimos prisioneiros de guerra alemães saíram vivos das prisões soviéticas e a destruição da Alemanha em seu defesa até o último homem no avanço soviético sobre os nazistas foi cruel, mas merecido. E não podemos deixar esquecidas as cerca de 10 milhões de pessoas, cidadãs soviéticas mortas pelo estado soviético de forma cruel ao longo dos anos de implantação do comunismos

MOSCOU — As declarações feitas nesta sexta-feita pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmando que o Holocausto não passa de "um mito" são "totalmente inaceitáveis", indicou neste sábado o Ministério do Exterior russo.

"Declarações como estas, independente de onde venham, contradizem a verdade e são totalmente inaceitáveis", condenou em um comunicado Andrei Nesterenko, porta-voz do ministério russo.

"Tentativas de reescrever a história, principalmente com o aniversário de 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial este ano, são uma ofensa à memória de todas as vítimas e de todos aqueles que combateram o fascismo", destacou.

Nesterenko disse que os comentários de Ahmadinejad "não contribuem para criar uma atmosfera internacional capaz de engedrar um diálogo frutífero em questões envolvendo o Irã".

Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha condenaram as declarações de Ahmadinejad na sexta-feira.

Membros do governo iraniano devem se reunir mais uma vez no dia 1º de outubro com representantes de Reino Unido, China, França, Alemanha, Rússia e Estados Unidos para discutir os rumos do programa nuclear de Teerã.

sexta-feira, outubro 9

Ahmadinejad, Netanyahu and the Holocaust: The ethics of memory

by Carlo Strenger - Haaretz 07-out-2009

When the German Foreign minister recently called Ahmadinejad a shame to his own country and people, he spoke the minds of many. Now that Ahmadinejad is not even recognized by many of his own countrymen and women as legitimate, and that the Iranian regime's legitimacy is questionable within Iran itself, it is time for the world to support the opposition by making clear what a miserable figure this fanatic ignoramus is.

Because an ignoramus he is: Ahmadinejad's Holocaust denial is not a cynical ploy. He believes what he says - and he is unlikely to have invested much time in the huge historical evidence for the Holocaust.

The question then remains: is there anything interesting about Ahmadinejad's Holocaust denial - except, of course, that it provides one of his 'arguments' against the state of Israel (unfortunately he hasn't read up on the history of Zionism, which started almost a century before the Holocaust, either)

I think there is something interesting. I have a heavy dislike for the question whether the Jewish Holocaust perpetuated by the Nazis does or doesn't compare to others; whether it is the worst of all genocides in history. How do you measure the horror of human cruelty and suffering? Do you count the dead? In this case Mao is probably the worst killer in history, closely followed by Stalin, with Hitler coming in 'only' third. Do you measure the means, the organization, the hatred, the irrationality and the sheer inhumanity?

While the Nazi Holocaust certainly has unique features, I do not think that this should be a moral or political argument for or against anything, including the existence of the State of Israel. That nowadays is simply a fact that even most Arab states are acknowledging.

I believe that it is the commemoration of the Holocaust that is unique. The Jewish people, after a period of initial shock, have turned remembering of the Holocaust and its victim into a moral duty. Historians, novelists, psychologists and filmmakers have invested huge energies simply in remembering; museums have been built around the world, simply to make sure that those murdered will not vanish without a trace, and that humanity should never forget what it is capable of.

Here is the question that I would like to pose to Mr. Ahmadinejad - without expecting a response, of course. Could it be that the main problem he has with the Holocaust of the Jews is that we adhere to a very strict ethics of memory, to use Israeli philosopher Avishai Margalit's felicitous phrase? That we try not to allow any of the victims to have died without a trace? That we try to mourn the horrors that our families have endured, without turning these horrors into mythical heroism?

Mr. Ahmadinejad perpetuates a regime that has done horrible things to its own people. Khomeini sent scores of thousands of children into a useless war of attrition, arming them with plastic keys he told them would open the doors of paradise. He sent them into minefields using a military approach discarded after WWI, of trying to conquer positions through waves of human beings. Are the people of Iran allowed to mourn this act of horror? Or are they only allowed to glorify the useless death of their children (Khomeini sent them into battle when the Iraqi army was no longer on Iranian soil) by saying that they are shaheeds?

In speaking in favor of the ethics of memory, I do not really address Mr. Ahmadinejad; he seems incurable, and it is only to be hoped that his people will find ways to get rid of him. There is a lesson for us here.

Netanyahu has made the comparison of Iran with Nazi Germany and warning the world that a new Holocaust is on the way the centerpiece of his rhetoric. As Aluf Benn has pointed out, Netanyahu likes to think of himself as the Churchill who refuses to accommodate Hitler. Let us leave aside the question whether the comparison between Nazi Germany and Iran is justified - I think it isn't.

Netanayhu's latest installment was the speech at the UN. (Get the full text of Netanyahu's speech here). The part of the speech in which he attacks Ahmadinejad and the Holocaust denial is certainly justified. But then he moves on to defend operation Cast Lead by comparing it to the London Blitz. Netanyahu plays the Holocaust card to defend the indefensible. Even if Netanyahu thinks that the Gaza operation was justified, the constant harping on the Holocaust to justify Israel's policies in the West Bank and Gaza is both politically useless and ethically problematic.

Nobody in the world can see any connection between the Iranian threat and holding on to the West Bank and pandering to Israel's ideological right. Nobody can see how making the lives of Palestinians miserable will stop Iranian missiles. And while many believe that Israel had the right to defend itself against the Qassam attacks, they feel (and I agree) that the way Operation Cast Lead was conducted is indefensible.

In making use of the Holocaust to defend indefensible policies, Netanyahu harms the very ethics of memory that Ahmadinejad is incapable of endorsing. Remembering the Holocaust is a moral duty for Jews and non-Jews alike. Netanyahu's politicization of it does not fulfill this duty; it taints it. Instead of weakening Ahmadinejad, he enters the arena in which truthfulness about history is no longer a duty in its own right, but where history is used for the sake of political manipulation.

He taints the work of Raoul Hilberg, a Jewish soldier who participated in the liberation of Concentration Camps, and became the first historian to document Nazi extermination of the Jews; of those like Primo Levi, Shaul Friedlander and Steven Spielberg, who have made every effort to remember without embellishment and without manipulation. The lessons we should learn from Mr. Ahmadinejad is that remembering for its own sake is a virtue that must never be compromised.

quinta-feira, outubro 8

Uma oportunidade perdida em Nova York

Artigo de Claudio Lottenberg, presidente da CONIB, publicado nesta quarta-feira na seção Tendências e Debates do jornal Folha de S. Paulo

Acompanhei recentemente, com especial atenção, a cobertura jornalística da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York. Estava ansioso por saber, entre outras questões, como o dirigente máximo de nosso país transmitiria ao iraniano Mahmoud Ahmadinejad a ideia de que negar a ocorrência do Holocausto representa um repugnante e vil desrespeito à memória das vítimas do nazismo e aos sobreviventes que escaparam dessa barbárie. E muitos deles aportaram em terras brasileiras, onde foram acolhidos com especial hospitalidade e refizeram suas vidas. 

Somos descendentes de vítimas desse massacre. E quando deparei com a foto do presidente Lula com Ahmadinejad, fiquei profundamente decepcionado com a forma como o presidente do meu país cumprimentou alguém que questiona a ocorrência do Holocausto. 

Imaginei, por exemplo, o que um sobrevivente do Holocausto que encontrou refúgio no Brasil estaria sentindo ao ver aquela imagem. Pensei em nós, filhos e netos de vítimas da máquina mortífera do nazismo, que nos empenhamos tanto nas últimas décadas em manter viva a memória daqueles homens, mulheres e crianças massacrados na Segunda Guerra Mundial. 

Evocar interesses de Estado, como faz o governo brasileiro, para buscar a aproximação com Ahmadinejad me deixa perplexo. Fiquei pensando se poderia ver o presidente Lula estendendo a mão para alguém como o general Augusto Pinochet em nome dos interesses de Estado. 

Imaginemos que o regime militar, felizmente na lata do lixo da história, ainda imperasse em Santiago, e o Brasil, com a estratégia de liderar o subcontinente latino-americano, recorresse a razões de Estado para justificar eventual aperto de mão com o pinochetismo. 

Afinal, alguns assessores do nosso presidente costumam dizer que não cabe ao Brasil distribuir "certificados de bom comportamento" a governos estrangeiros, o que explicaria a atual aproximação com ditaduras, como Irã e Coreia do Norte. 

No caso iraniano, imagino também o que devem ter sentido integrantes das minorias sexuais e religiosas perseguidas sistematicamente por Ahmadinejad ao vê-lo cumprimentando, com um largo sorriso, uma liderança de reconhecida envergadura internacional como o presidente Lula, que carrega uma trajetória intimamente ligada à luta por liberdades civis e pela democratização de seu país. 

Guardo algumas perguntas ao governo. Por que prestigiar alguém cujo regime não hesitou em reprimir com mortes e violência as recentes manifestações nas ruas de Teerã? Por que prestigiar alguém que representa um regime que viola sistematicamente os direitos civis de mulheres, homossexuais e minorias religiosas, que persegue grupos de esquerda e pró-democracia? Por que prestigiar alguém que, com suas ambições nucleares, desponta como um fator de desestabilização do cenário internacional e que defende a destruição de Israel, um Estado integrante da ONU? 

Não é convincente a argumentação de que isolar Ahmadinejad é pior. Pior é recompensá-lo com prestígio e aproximação econômica.

Em minha visão, o presidente Lula, que ganha destaque cada vez mais intenso como uma liderança com influência que atravessa as fronteiras do Brasil, desperdiçou uma valiosa oportunidade de condenar, com o devido peso e ênfase, um fenômeno abjeto como a negação do Holocausto e as violações sistemáticas aos direitos humanos cometidas pelo regime iraniano. 


Felizmente, vivemos num país democrático e, ao contrário da população do Irã, podemos manter um diálogo fluído e livre com o nosso governo.

Conheci Lula em Israel, na abertura de um evento esportivo, nos anos 1990. Desde então, pude desenvolver com ele uma relação de profundo respeito e admiração. Mas, como cidadão de um Brasil cujos soldados também combateram o nazismo, e em honra à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes, não posso deixar de externar, com a máxima transparência, que, neste momento, estamos em profundo desacordo. 


No respeito e na minha relação com a memória de meus antepassados, permito-me ser inflexível. Ahmadinejad personaliza não apenas o desrespeito à história. Personaliza também o desrespeito à democracia, a liberdades civis e à estabilidade mundial


segunda-feira, outubro 5

Um Ahmadinejad judeu ???

Explode pelo mundo com estrondo maior que uma bomba atômica uma informação que pode ser uma mera asneira ou pode colocar por areia abaixo algumas das pretenções de Ahmadinejad. Sua trajetória em termos de antijudaísmo é tão semelhantemente violenta a de Hitler que o expoente do islamofacismo agora é taxado de judeu. Hitler também foi. Dizia-se que teria um antepassado judeu, parentes seus teriam trabalhado para judeus e por isso vinha seu ódio.
 
Na visão racista antijudaica, só judeus seriam capazes de cometer tamanhas atrocidades contra judeus...
 
Nas matérias que circulam sobre Ahmadinejad a história é basicamente a mesma: seu ódio à Israel e sua implicância doentia em relação ao Holocausto seria para encobrir que é judeu de nascimento! Odiar os judeus sabemos ser um dos princípios mais comuns dos conversos para fora do judaísmo e temos aí Karl Marx como um ícone deste ódio. Odiar os judeus seria uma proteção contra acusações de deslealdade ao islã pelos aiatolás que controlam o Irã.
 
Já escreveram igualzinho do Hitler, e sobre Herman Goering, o verdadeiro braço político do paratido nazista, cuja mãe foi amante de um rico comerciante judeu quando empregada em seu castelo, com a complascência de seu pai. Goering passou parte da infância e a adolescência neste castelo e por isso teria ódio dos judeus... Mesma conversa mole.
 
O jornal inglês Daily Telegraph examinou o documento de identidade que Mahmoud usou na eleição de 2008 (foto - não é a de 2009) que saiu numa das fotos. Lá, encontraram o nome familiar original de seus pais - Sabourjians - considerado um nome judaico persa tradicional e a data da conversão da família ao islã, posterior a do nascimento do pequeno Mahmoundinho.
 
É um objetivo do islã a conversão de infiéis, portanto, ao contrário do que mais de 200 matérias repetidas afirmam por aí, a família e ele são muçulmanos e disso não há dúvida. Apesar de muitos judeus também não aceitarem, não existe algo como "judeu convertido" ou "muçulmano convertido." Ao efetivar-se a conversão torna-se judeu e muçulmano com todas as obrigações e direitos religiosos, no caso do islã, direitos sociais e políticos nos países teocráticos.
 
Por outro lado, há um preceito judaico que nascido judeu, não importa a conversão posterior: se é judeu para sempre, para alguns grupos religiosos ou se pode retornar ao judaísmo, sem conversão, fazendo a "teshuvá" até o momento de sua morte. Então, para estes grupos e apenas estes Ahmadinejad pode ser um judeu de fato.
 
Não há como apurar daqui do Brasil se o sobrenome Sabourjians é judeu, é exclusivamente judaico, ou é um sobrenome compartilhado entre judeus e muçulmanos persas. É preciso de um especialista para isso. A semelhança com Hitler via um pouco mais além pois Adolf Hitler, não nasceu com este sobrenome, que é de um tio, mas com o sobrenome Schikelgruber. Em relação ao sobrenome Hitler, tenha a certeza de que "Hittler" com dois "t" é um sobrenome judaico, tradicional alemão: eu vi! Eu conheci uma família e ela pertencia a comunidade judaica carioca. Agora vive em Israel.
 
O curioso é que até o momento de fechar esta matéria havia mais de 950 ocorrências do sobrenome Sabourjians neste caso de Ahmadinejad, no Google, e NENHUMA ocorrência sem ele. Simplesmente é algo que não pode ser pesquisado na Internet e se é ou foi um sobrenome judaico relevante na Pérsia e no Irã moderno, ninguém se deu ao trabalho sequer de se referir a ele até hoje.
 
por José Roitberg - jornalista

quarta-feira, setembro 30

O homem que nega a História

Para Ahmadinejad, apesar das provas, execução de judeus é mito

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad provocou ontem indignação mundial ao dizer, mais uma vez, que o Holocausto em que morreram 6 milhões de judeus na Segunda Grande Guerra é um mito, uma mentira criada para justificar a criação do Estado de Israel.

Ahmadinejad exortou a população de seu país a confrontar Israel, "uma obrigação nacional e religiosa de todo os muçulmanos".

A declaração foi feita no dia em que o Irã marca o "Dia de Jerusalém", marcha anual em apoio aos palestinos. Este ano, o dia serviu de pretexto para que milhares de iranianos fossem às ruas, mas para protestar contra o próprio Ahmadinejad.

– O pretexto do Holocausto para a criação do regime sionista é falso. Uma mentira baseada numa alegação mítica e não provada – disse o presidente na Universidade de Teerã.

Desde que chegou ao poder pela primeira vez, Ahmadinejad provocou contra si a condenação internacional por dizer que o Holocausto é uma mentira e que Israel é um "tumor" no Oriente Médio.

Seu governo chegou a realizar uma conferência em 2006 para questionar o fato de os nazistas liderados por Hitler terem usado campos de concentração e câmaras de gás para matar 6 milhões de judeus na Segunda Guerra (1939/1945) – fato comprovado por farta documentação.

Um insulto repugnante, diz ministro britânico

Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha criticaram as declarações do presidente iraniano. O ministro britânico de Relações Exteriores, David Miliband, classificou a declaração de "repugnante'' e "ignorante''.

– A comunidade internacional deve se levantar contra esta onda de insultos – disse o ministro.

Os críticos de Ahmadinejad dentro do Irã dizem que seus discursos isolam o país. Suas novas declarações devem prejudicar a posição iraniana nas negociações com a comunidade internacional em relação ao programa nuclear, pois não combinam com a alegação de que o programa é para fins pacíficos de produção de energia.

Diário Catarinense em 19-set-2009

Argumento de Ahmadinejad sobre Holocausto considerado inadmissível

O presidente iraniano voltou a afirmar que o Holocausto foi um "mito", num discurso proferido sobre o dia de solidariedade para com os palestinianos. O ministro russo dos Negócios Estrangeiros sentiu necessidade de dizer que as declarações de Ahmadinejad são "totalmente inadmissíveis" e configuram uma "tentativa de negar a história".

"Eles (Ocidentais) lançaram o mito do Holocausto. Mentiram, fizeram o seu número e têm apoiado os judeus", afirmou Mahmoud Ahamdinejad, repetindo um argumento que já havia motivado resposta da comunidade internacional.
Este sábado, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros veio responder que "tais declarações "contradizem a verdade e são totalmente inadmissíveis". "As tentativas de negar a História, sobretudo no ano do 70.º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, ofendem a memória de todas as vítimas e de todos os que lutaram contra o fascismo", declarou Andrei Nesterenko.

O governante russo considera ainda que as declarações "não contribuem para criar uma atmosfera internacional favorável ao estabelecimento de um diálogo frutuoso sobre a questão relativa ao Irão" (dossier nuclear).

Nesterenko aludia ao encontro, marcado para 1 de Outubro, entre o negociador do Irão com os representantes da Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Alemanha.

publicado pela RTP (Portugal em 19-set-2009)

segunda-feira, setembro 28

Ahmadinejad gosta de irritar o Ocidente

A agência de notícias iraniana publicou que "irritar os carniceiros profissionais é um orgulho para nós e não nos removerá de nosso caminho" se referindo às reações dos países ocidentais e Israel aos seus discursos de negação do Holocausto e extermínio de Israel.

Ahmadinejad Likes Irking West With Holocaust Denial

Mahmoud Ahmadinejad said he was proud that he angered Western countries by denying the Holocaust.

The Iranian president was quoted by the Iranian News Agency as saying that the angering of "professional man-slayers is a source of pride for us and will not stand in our way." He reportedly was referring to Israel and Western countries.

Speaking at a Tehran rally marking Jerusalem Day, when the Iranian regime expresses solidarity with the Palestinians, Ahmadinejad said that the Holocaust was a "lie" and that Israel's days were "numbered" and its regime was "dying."

"The pretext for establishing the Zionist regime is a lie," he said, "a lie which relies on an unreliable claim, a mythical claim and the occupation of Palestine."

Referring to Western leaders, he said, "They launched the myth of the Holocaust. They lied, they put on a show and then they support the Jews."

The government-funded Press TV quoted Ahmadinejad as saying that Israel needs to be confronted because its existence "amounts to an eternal insecurity in the region."

Ahmadinejad's speech was given before he traveled to New York to address the United Nations General Assembly, and before Iran launches its dialogue with the West under an Obama administration initiative.

In another development, a New York hotel canceled a banquet it was scheduled to host after learning that Iranian President Mahmoud Ahmadinejad was slated to speak.

The New York Helmsley Hotel announced that the event, booked by an Iranian student group, would not be held at its facility, the New York Post reported. The hotel said it was unaware that Ahmadinejad would be there until informed by the group United Against a Nuclear Iran.

"As soon as Helmsley corporate management learned of the possibility of either the Iranian Mission or President Ahmadinejad holding a function at the New York Helmsley Hotel, they immediately ordered the cancellation of that function," said Howard Rubenstein, spokesman for Helmsley Properties.

"Neither the Iranian Mission nor President Ahmadinejad is welcome at any Helmsley facility. The Helmsley organization is grateful to United Against Nuclear Iran for bringing this matter to its attention so that appropriate action could be taken."

United Against Nuclear Iran is a nonpartisan, broad-based coalition whose advisory council includes Council on Foreign Relations president emeritus Leslie Gelb; former Bush administration official Karen Hughes; former CIA director R. James Woolsey; and Conference of Presidents of Major American Jewish Organizations chairman Alan Solow. Its president, Mark Wallace, is a Republican lawyer who formerly worked at the U.S. mission to the United Nations.

JTA


Ahmadinejad: Holocausto foi pretexto para criar Estado de Israel

No final das marchas anuais anti-Israel, em Teerão (18 setembro), o presidente iraniano disse que o Holocausto foi uma mentira e um pretexto para a criação do Estado de Israel.

Os críticos dizem que é este tipo de discurso que tem isolado o Irão, em conflito com o Ocidente por causa do programa nuclear.

A Assembleia Anual da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) adoptou, na quinta-feira, uma resolução não vinculativa que exorta as Nações do Médio Oriente a renunciar à energia atómica. Apenas Israel votou contra.

"No nosso ponto de vista, os progressos para concretizar esta visão não podem ser alcançados sem uma alteração fundamental das circunstâncias regionais, incluindo uma transformação significativa na atitude de alguns estados da região em relação ao Estado de Israel", justificou David Danieli, o representante israelita na AIEA.

Israel lembrou que alguns países vizinhos não reconhecem o Estado judeu e que o Irão defende claramente a sua eliminação.

Euronews

Ahmadinejad continua com seu discurso antissemita carregado de ódio

Presidente do Irã diz na ONU que seu país é um dos mais progressistas e democráticos do mundo e apaga novamente o terrorismo palestino e árabe contra Israel

Ahmadineyad continúa con su lenguaje antisemita, ofensivo y cargado de odio


El presidente de Irán, Mahmud Ahmadineyad, aseguró ante la Asamblea General de la ONU que su país está dispuesto a "participar en la construcción de una paz y seguridad duraderas en el mundo y a estrechar las manos honestas".

Ahmadineyad defendió el programa nuclear de Irán, puesto de nuevo en entredicho por EE.UU., Rusia, Francia, Reino Unido y China, más Alemania, al tiempo que subrayaba que tiene "uno de los Gobiernos más progresistas y democráticos del mundo", en respuesta a las críticas por el pasado proceso electoral de su país.

La delegación estadounidense ante la ONU, al igual que las de otros de países occidentales, abandonaron el pleno de la Asamblea General cuando el presidente iraní tomó la palabra.
Pese a rebajar el tono de anteriores intervenciones, Ahmadineyad arremetió en varias ocasiones contra Estados Unidos y, particularmente contra Israel, al que de nuevo se refirió como "el régimen sionista".

"Ya no es aceptable que una pequeña minoría domine la política, la economía y la cultura de grandes partes del mundo mediante complicadas redes, y establezca una nueva forma de esclavitud, dañando la reputación de otras naciones, como las europeas y EE.UU., para lograr sus ambiciones racistas", señaló.

También acusó al Gobierno israelí de llevar a cabo "un genocidio contra las poblaciones palestinas en los territorios ocupados, de los que fueron expulsados hace 60 años mediante la fuerza y la coerción".

"¿Cómo es que los crímenes de los ocupadores contra mujeres y niños indefensos y la destrucción de viviendas, granjas, hospitales y escuelas puede recibir el respaldo incondicional de ciertos gobiernos?", se preguntó.

Las palabras del presidente iraní suscitaron una reacción inmediata de Washington.
"Es una decepción que el señor Ahmadineyad de nuevo decida hacerse eco de un lenguaje antisemítico, ofensivo y cargado de odio", dijo el portavoz de la Misión de EE.UU. ante la ONU, Mark Kornblau.

Poco antes que el presidente iraní interviniese ante este foro internacional, cientos de personas se congregaron en el exterior de la ONU con banderas iraníes y las caras pintadas de verde para pedir libertad y democracia en ese país.

Los manifestantes portaban igualmente pancartas de rechazo al régimen iraní y pedían al secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, que abriese una investigación sobre el proceso electoral iraní, que calificaron de fraudulento.

EFE y Aurora