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sábado, março 6

Antigo campo de concentração é vandalizado na Áustria

Vaad Hahshoa Brasil: O termo traduzido erradamente pela Reuters para "dessacralização" não se aplica pois um campo de concentrção não é um local "sagrado", muito pelo contrário. O termo correto é "profanação", mas aqui é simplesmente vandalismo por se tratar de pichação do lado de fora do muro.

 


Dentro da incapacidade da mídia de relacionar fatos, no dia 16 de fevereiro
Mauthausen foi palco de outro incidente. Um grupo de skinheads resolveu fazer uma festa lá dentro, com rock nazista, se  fotografaram e divulgaram fotos com uniformes e fazendo saudações nazistas na frente das câmaras de gás. Pelo menos estes são honestos o suficiente para quererem continuar matando os judeus e não mentem dizendo que isso não ocorreu. Na foto abaixo os sobreviventes libertados em maio de 1945 tentam derrubar a águia do portão.

Mais de 200.000 pessoas passaram por Mauthausen durante a WW2. O campo além das matanças era um local de trabalho escravo e um dos campos onde os médicos nazistas faziam experiência horrorosas usando judeus, e também ciganos como cobaias humanas.


"A pedreira de Mauthausen foi o local da infame "Escada da Morte", onde prisioneiros eram obrigados a subir os 186 degraus da pedreira carregando blocos de pedra de 50 kgs em fila; como resultado disso, alguns prisioneiros exaustos caíam por cima dos outros, derrubando diversos homens na fila escada abaixo, num efeito dominó, para a morte ou graves ferimentos.


Esta brutalidade proposital seguia os métodos dos SS, que forçavam prisioneiros a subirem correndo os degraus da pedreira carregando pedras, após horas de trabalho pesado, sem comida nem água suficientes, e os que caíssem eram executados; os poucos sobreviventes participavam então do chamado Muro do Páraquedas, onde alinhados na crista da pedreira à beira do precipício, tinham a escolha de morrerem fuzilados perfilados na fila ou jogarem o companheiro ao lado pela borda do penhasco."

Mauthausen foi o principal local para o extermínio dos Testemunhas de Jeová, os "triângulos roxos" que segundo suas práticas religiosas, não aceitam a autoridade do Estado, apenas a de Deus e se recusaram a participar do nazismo como um todo, fazer saudações, usar emblemas, pertencer a Juventude Hitlerista etc, sendo definidos então como "inimigos do Estado", tendo mesmo destino dos judeus e ciganos. Mas havia uma diferença como citada pelo sobrevivente e escritor Ben Abraham no Brasil: "A diferença entre as Testemunhas e todos os outros prisioneiros é que, se renunciassem à sua fé e se comprometessem a denunciar os outros que praticavam a mesma crença, seriam soltas na hora. Mas preferiam permanecer presas a renunciar à fé."

Se você participa de eventos seja do Dia em Memória das Vítimas (27/jan ONU) ou do Yom Hashoa, nunca viu Testemunhas de Jeová nos eventos. Por várias vezes seus representantes foram convidados mas a resposta no século 21 continua sendo a mesma de 1938: não participam de nenhum solenidade cívica, onde quer que seja. Infelizmente não compreendem que em ambas datas (exceto quando realizadas em Câmaras de Vereadores ou Assembléias Legislativas) não há cerimônias cívicas e simplesmente se dissociam dos que compartilharam o destino com seus avós. Mas não esquecem o Holocausto e seu destino. Eles tem amplo material, inclusive em vídeo de sua história no conflito e promovem exposições muito bem feitas em todo o mundo onde... Os judeus são meio que irrelevantes no contexto da matança...

José Roitberg - jornalista


Plantão o Globo | Publicada em 05/03/2010 às 18h47m
Reuters/Brasil Online

VIENA (Reuters) - Um antigo campo de concentração na Áustria foi vandalizado com pichações antissemitas e antiturcas supostamente por ativistas de ultradireita, disseram autoridades nesta sexta-feira.
O incidente ocorreu durante a noite no muro externo do campo de Mauthausen, perto de Linz, e nenhum suspeito foi achado, disse à agência de notícias APA o diretor da polícia antiterror local, Michael Tischlinger. 

"Tal dessacralização não é uma travessura, os culpados haviam escolhido um alvo", disse Willi Mernyi, diretor do Comitê Mauthausen, que participa da preservação do local, onde cerca de 100 mil pessoas morreram durante o domínio nazista na Áustria (1938-45). 

"Há um ativo movimento de extrema direita na Alta Áustria que não se intimida nem mesmo em vandalizar um antigo campo de concentração", afirmou ele em nota.
Os partidos de extrema direita obtiveram quase um terço dos votos na eleição nacional de 2008, refletindo a xenofobia existente neste país alpino. 

(Reportagem de Sylvia Westall)

sexta-feira, fevereiro 26

Aos 95 anos, atleta alemã judia recupera recorde nacional conquistado em 1936

Margaret Bergmann quebrou marca do salto em altura antes das Olimpíadas de Berlim, mas foi impedida pelos nazistas de competir. Domingo, no 'EE'

Guilherme Roseguini Especial para o GLOBOESPORTE.COM, em Nova York

O plano era ousado. Vencer a prova do salto em altura nos Jogos Olímpicos e constranger o ditador Adolf Hitler nas tribunas. Margaret Bergmann até tinha credenciais para executá-lo. Corria o ano de 1936, e ela era um dos maiores prodígios do esporte alemão. Era também judia em um país já dominado pela doutrina nazista.

Dois meses antes da abertura das Olimpíadas, no dia 30 de junho, Bergmann venceu com folga o Campeonato Alemão de Atletismo. Saltou 1,60m, recorde nacional. A vaga olímpica era sua. O plano estava de pé.

- Eu sonhava com os Jogos, sabia que podia vencer qualquer atleta. Mas meu mundo desabou logo depois - recorda Margaret, hoje com 95 anos.

 

Bergmann, 95 anos, hoje mora nos EUA

O motivo estava em um documento que chegou à sua casa duas semanas antes da abertura olímpica. Assinado por Karl von Halt, então dirigente máximo do Comitê Olímpico Alemão, o comunicado dizia que ela havia sido excluída da competição. Seu recorde também fora anulado.

- Queriam reduzir o número de judeus atletas dos Jogos a quase zero. Em troca, me ofereceram ingressos para ver as provas no meio do público. Claro que eu não fui.

Em seu lugar competiu uma fraude. Os alemães inscreveram um homem disfarçado de mulher – Herman Ratjen apareceu na prova como Dora Ratjen. Mas ele acabou apenas na quarta posição. A vitória ficou com a húngara Ibolya Csák, que saltou exatamente 1,60m (a mesma distância conseguida por Bergmann meses antes).

 

Divulgação/TV Globo

Margaret em ação na Alemanha, em 1936

Bergmann percebeu que a situação poderia piorar e decidiu fugir do país – seus familiares que ficaram morreram em campos de concentração. Ela embarcou em um navio pouco depois das Olimpíadas e aportou em Nova York. Queria retomar a carreira atlética, voltar a sonhar com o ouro olímpico. Ficou longe disso. Precisando de dinheiro na nova casa, trabalhou boa parte da vida como faxineira.

- Todas as vezes que eu via esporte na TV eu chorava. Chorava muito. Tudo o que vivi retornava à minha cabeça, como num caleidoscópio. Era horrível - conta, de Nova York, onde vive com o marido Bruno, de 99 anos.

Era preciso encarar os fantasmas para acabar com essas mágoas. E Margaret resolveu agir. A partir dos anos 80, passou a escrever cartas para dirigentes esportivos do mundo todo. Ela contava sua história, e pedia ao menos uma palavra de resignação da Alemanha e das autoridades olímpicas.

 

A atleta treina na Alemanha nazista

- Eles me deviam desculpas, e eu prometi que jamais descansaria sem recebê-las.

Margaret conseguiu, quase 75 anos depois de ser ultrajada pelos nazistas. Ela acaba de receber um documento da Associação de Atletismo Alemã com uma decisão surpreendente. Seu recorde obtido em 1936 foi revalidado. Ela foi reconhecida como melhor atleta daquele ano. A vaga olímpica era mesmo dela.

- A lista de recordistas do atletismo alemão jamais foi alterada. Mas agora a exceção se justifica. Você será lembrada para sempre - diz o documento.

Os detalhes dessa incrível saga vivida por Margaret Bergmann você conhece domingo, no "Esporte Espetacular".

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Esporte_Espetacular/0,,MUL1504387-16321,00-AOS+ANOS+ATLETA+ALEMA+JUDIA+RECUPERA+RECORDE+NACIONAL+CONQUISTADO+EM.html


sexta-feira, fevereiro 12

O Carnaval Nazista

Siobhán Dowling
do Der Spiegel


O Carnaval alemão é uma expressão de diversão anárquica e de gozação daqueles que estão no poder. Mas os nazistas buscaram explorar o potencial das festividades para seus próprios fins. Carros alegóricos antissemitas e discursos atacando os inimigos da Alemanha eram comuns e uma reação contrária era rara.



Carro alegórico antissemita em Colonia em 1934

Era segunda-feira de Carnaval na cidade alemã de Colônia e as festividades de 1934 estavam em andamento. Dentre os muitos carros alegóricos que participavam do desfile tradicional, um exibia um grupo de homens vestidos como judeus ortodoxos. A faixa acima deles dizia: “Os Últimos Estão Partindo”. Afinal, aquele era o Carnaval sob o Terceiro Reich.

O carro alegórico foi uma das muitas expressões de antissemitismo que marcaram o período de Carnaval na Alemanha durante os anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Outro carro alegórico de 1935 parece um terrível arauto do Holocausto que viria. Em Nuremberg, onde as infames leis raciais antissemitas seriam introduzidas posteriormente naquele ano, uma figura em papel machê de um judeu estava pendurada em um modelo de moinho como se fosse uma forca.



 Carro alegórico antissemita em Colonia em 1936 na Parada das Rosas elogiando a perda de direitos políticos e sociais dos judeus

Até recentemente, era quase tabu falar sobre o Carnaval alemão e os nazistas na mesma frase. O Carnaval, o festival pré-Quaresma celebrado no oeste e sul predominantemente católicos da Alemanha, exibe um lado alegre, bem-humorado e ruidoso da Alemanha. Nada poderia ser mais distante dos horrores perpetrados pelo regime de Hitler.

Mas os nazistas “perceberam rapidamente o potencial do Carnaval”, diz o jornalista e historiador Carl Dietmar. Ele e o colega historiador Marcus Leifeld discutem este aspecto da Alemanha Nazista em seu novo livro, “Alaaf and Heil Hitler: Carnival in the Third Reich”. Pesquisando os arquivos das organizações carnavalescas, eles descobriram o quanto os nazistas conseguiram exercer controle sobre a festa.

‘Surpreendentemente heterogêneo”

Os nazistas viram que a tradição do Carnaval poderia ser usada para retratar suas noções de “Volk”, ou nação, alemã. Mas sua diversão anárquica e potencial de zombar daqueles no poder era algo que buscaram controlar rigidamente. Desde o início do regime nazista em 1933, havia ordens para não mencionar Hitler durantes as festividades. E os muitos encarregados pela organização do festival –os presidentes dos comitês, os chamados “Büttenredner” (animadores do carnaval) e aqueles que criavam os carros alegóricos– eram todos cuidadosos em obedecer essa ordem.



Desenhos de um carro alegórico de 1935 retratando quem fugiu da Alemanha nazista "Refugiados sob os tetos de Paris"

No geral, a nazificação da tradição foi um processo gradual e incompleto. A pergunta é quanto o Carnaval se tornou nazificado de um clube a outro, de uma cidade para outra. “É surpreendente quão heterogêneo era”, disse Leifeld para a “Spiegel Online”. As pessoas encarregadas pelo Carnaval refletiam uma sociedade mais ampla. Havia nazistas convictos e pessoas que apenas obedeciam as ordens. Também havia disputas dentro dos clubes, apesar de raramente refletirem qualquer questionamento fundamental da ideologia nazista; eram principalmente desentendimentos sobre quanto à tradição deveria ser mantida e quão longe as coisas deviam mudar para refletir a nova era.

Os autores também acabaram com o mito de que em Colônia, os organizadores do Carnaval de alguma forma resistiram à tomada pelos nazistas. A famosa “Narrenrevolte” (“A revolta dos bobos da corte”) de 1935, na qual o comitê local se recusou a se deixar assumir pela organização de lazer nazista Kraft durch Freude, foi apenas uma forma de manter o poder e os lucros consideráveis arrecadados durante as festividades, disse Dietmar à “Spiegel Online”. De forma semelhante, o presidente do comitê do Carnaval de Colônia era membro do partido nazista desde 1932 –mas isso não o impediu de retornar ao comando da organização do evento anual após a Segunda Guerra Mundial.



 O ministro nazista da propaganda, Paul Jospeh Goebells (sentado à dir)
se divertindo com o desfile de carnaval em Colônia 1935

Mas ocorreram alguns casos raros de desafio. Por exemplo, um grupo carnavalesco em Frankfurt ousou imprimir propagandas em um jornal mostrando o führer como bobo da corte carnavalesco. Uma equipe de nazistas foi imediatamente enviada para destruir o carro alegórico do clube e prender os editores, que passaram três semanas na prisão.

O famoso animador do Carnaval de Colônia, Karl Küppner, também teve problemas com as autoridades após fazer piadas demais sobre os nazistas. Em uma ocasião, ele estendeu a mão para fazer a saudação de Hitler e brincou: “Parece que vai chover”. Küppner acabou na prisão e foi proibido de continuar animando o Carnaval.

E o presidente do comitê do Carnaval de Düsseldorf, Leo Statz, pagou o preço mais caro por sua irreverência. Ele incomodava repetidamente os nazistas com suas canções carnavalescas satíricas e, em 1943, após questionar embriagado se a Alemanha venceria a guerra, ele foi preso pela Gestapo e acabou executado.

Mas estas foram exceções. No geral havia um alto grau de submissão ao regime. “Havia piadas em quase toda animação de Carnaval sobre os judeus e os inimigos, como os franceses ou russos”, diz Dietmar. Muitos dos carros alegóricos zombavam da Liga das Nações e os alvos favoritos de ódio eram os políticos americanos, como o prefeito de Nova York, Fiorello La Guardia, cuja mãe era judia.
Mas os nazistas também desconfiavam da tradição do Carnaval de desobediência atrevida em relação aos detentores do poder. Em grande parte organizado pela classe média baixa, o Carnaval era tradicionalmente uma das poucas formas de expressar as críticas contra os governantes autoritários.


 
Em 1933 Hitler determinou que sua imagem não poderia ser usada em
carros alegóricos ou no Carnaval. Nesta capa de revista da época e aparece
em um baile de Carnaval. Parece que em 2007, o carnavalesco da Viradouro
não conhecia essa determinação do próprio Adolf...


Os nazistas fizeram todos os esforços para domar os aspectos rebeldes do festival. Eles enfatizavam o desfile organizado e desencorajavam o aspecto de festa de rua das festividades. Durante o Carnaval, imagens de líderes nazistas tinham que ser retiradas por temor de que pudessem ser desfiguradas por foliões bêbados.

O Terceiro Reich tentou transformar a celebração em outro tipo de performance, semelhante aos comícios nos quais os nazistas demonstravam excelência. Os carnavais deles tinham “menos humor e mais pompa”, diz Leifeld. Por exemplo, a chamada Proclamação do Príncipe, que ocorre até hoje no Carnaval alemão, foi uma invenção nazista. Eles desencorajavam a tradição de pessoas se vestirem como o sexo oposto, devido à conotação homossexual. Também acabou a tradição de um homem vestido como mulher como parte do trio que liderava o desfile em Colônia. De 1936 em diante, esses papéis eram exclusivos das mulheres.

Para o regime, o Carnaval era uma ferramenta útil de propaganda para o mundo exterior. Havia repetidas referências aos empregos criados e ao crescimento econômico. Os nazistas lançaram uma campanha de propaganda para atrair turistas estrangeiros e mostrar o país sob uma luz favorável, a imagem de “alemães pacíficos, que não queriam guerra, apenas se divertirem”, diz Leifeld.
A campanha funcionou, com muitos turistas estrangeiros viajando para a Alemanha para o Carnaval, particularmente vindos da Holanda. Mais de 1 milhão de turistas teriam visitado Colônia no último Carnaval antes da guerra, em 1939.


Bonde de propaganda para festas de Carnaval da Organização Todd (a ala de convocação para o trabalho pelo Estado) em Colônia em 1935

A história do Carnaval reflete de muitas formas o processo pelo qual os nazistas tomaram a sociedade como um todo, diz Leifeld. Foi um processo lento mas contínuo, e não uma transformação completa do dia para a noite em 1933, quando os nazistas chegaram ao poder. A exclusão gradual dos judeus dos carnavais é uma indicação desse processo. Desde o século 19, muitos judeus exerciam papéis proeminentes nos carnavais, como por exemplo em Koblenz e Freiburg, e os judeus até mesmo fundaram seu próprio clube carnavalesco em Colônia, em 1922. Mas depois de 1930, o presidente desse clube emigrou para Los Angeles e, em 1935, cada clube teve que declarar que era completamente ariano.

Foi apenas nos últimos 10 anos, aproximadamente, que as pessoas começaram a demonstrar interesse por este aspecto esquecido da história alemã, em vez de desejar varrê-lo para baixo do tapete, diz Dietmar. As pessoas em Colônia e no restante da Alemanha querem saber a respeito da vida cotidiana durante o Terceiro Reich, sobre como eram as coisas localmente, diz Leifeld.

A história do Carnaval mostra de certa forma que os nazistas não eram forasteiros que repentinamente impuseram seu regime à Alemanha em 1933, mas que foi um processo gradual de “giro do parafuso”, até a sociedade se tornar nazificada, argumenta Leifeld.
“Eles não eram alienígenas do espaço”, ele diz. “Eles faziam parte da sociedade.”

http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=319551


segunda-feira, fevereiro 1

Horrores da Segunda Guerra em exposição no Recife

Horrores da Segunda Guerra em exposição

JC Online

http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2010/01/30/horrores-da-segunda-guerra-em-exposicao-212583.php 

Moradores e visitantes do Recife têm até 31 de março para ver duas exposições internacionais sobre os horrores do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio de seis milhões de judeus e de outros grupos indesejados do regime nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As mostras, com entrada gratuita, estão em cartaz desde quinta-feira passada no Bairro do Recife e só no primeiro dia foram contempladas por 135 pessoas.

Uma das exposições é o testemunho do sofrimento de crianças judaicas de nacionalidade checa, prisioneiras na cidade de Terezín (Praga). Elas produziram desenhos, colagens e pinturas durante a permanência no campo de concentração. Parte do trabalho está disponível na Casa da Fundação Safra, na Rua do Bom Jesus, 191. Dos 15 mil meninos e meninas segregados em Terezín, pouco mais de cem sobreviveram.

O Museu Judaico de Praga, proprietário da mostra Os desenhos das crianças de Terezín, enviou 78 quadros ao Recife. Em sete peças a etiqueta identifica o autor como sobrevivente. "Nosso objetivo é tornar público o que foi feito e esperar que isso não se repita nunca mais. Pode ser pretensioso, mas cada um faz a sua parte", declara o ator Germano Haiut, responsável pela vinda das exposições.

Na Galeria Regional Nordeste (Rua do Bom Jesus, 237), o público verá a mostra Anne Frank – Uma História para Hoje, composta de 30 painéis com a história da adolescente alemã que morreu de febre tifoide no campo de concentração de Bergen-Belsen.

A exposição, criada em 1996 pela fundação que leva o nome da jovem, em Amsterdã (Holanda), é itinerante e se apresenta em 20 línguas. "Essa história é muito bem documentada. Queremos chamar a atenção para questões ligadas a tolerância, paz e direitos humanos", destacam Anja Witzel, coordenadora pedagógica da Casa de Anne Frank na Alemanha e Joëlke Offringa, do Instituto Plataforma Brasil.

Germano Haiut informa que as mostras fazem parte do projeto Paralelos, que tem como meta divulgar o valor da tolerância entre os povos. As exposições ficam abertas de segunda a sexta, das 8h às 18h, e nos domingos à tarde. Por causa do Carnaval, as visitações serão suspensas de 6 a 21 de fevereiro.

Hoje, o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco encerra a mostra Ao Recife o que o Recife não conhece, no Paço Alfândega, sobre a presença judaica no Estado. Faz parte da programação do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, 27 de janeiro. "Os acontecimentos históricos que marcaram tantas gerações geram revoltas. Hoje, esse ressentimento vem sendo trabalhado na construção de caminhos para uma convivência entre culturas, respeito às diferenças étnicas e sociais", diz a presidente do Arquivo, Tânia Kaufman.

sábado, janeiro 30

Einsatzgruppen - 17.Jan.2010 - RJ



ATENÇÃO - CONTEÚDO GRÁFICO PESADO - 18 ANOS. Pequena compilação sobre a carnificina dos Grupos de Ação nazistas nos Estados Bálticos no Holocausto e principalmente a participação da população local...  

sexta-feira, janeiro 29

Holocausto: Netos de Aristides de Sousa Mendes querem "corrigir a memória"

obs Vaad Hashoa Brasil - o diplomata Arisitides de Souza Mendes sempre é lembrado nas solenidades do Dia do Holocausto no Brasil e há muitos anos tem sua placa no Jardim dos Justos entre as Nações do Yad Vashem em Jerusalém. Parece que a história do diplomata português é melhor contada fora de Portugal, mas isso se deve às décadas do regime fascista de Salazar, como exposto na matéira abaixo.

Aristides de Sousa Mendes

Quando a 2.ª Guerra Mundial começou, Aristides de Sousa Mendes era diplomata português em Bordeaux. Pai de 12 filhos, mostrou que "era mais preocupado com os outros do que com a própria família", como afirmou, ao JPN, o seu neto, Álvaro Apoim de Sousa Mendes. O cônsul sentiu que "tinha de desobedecer às ordens de Salazar, como ser humano e cristão". O diplomata ficou conhecido pelo "Schindler português" quando assinou 30 mil vistos para a entrada de judeus em Portugal, em 1940. Foi punido por Salazar e acabou por morrer na miséria. O processo relativo ao cônsul só foi descobertos em 1988.

Holocausto: Netos de Aristides de Sousa Mendes querem "corrigir a memória"

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Descendentes de Aristides de Sousa Mendes evocaram o período perante os alunos do Colégio Luso-Internacional do Porto. Instituição organizou uma série de iniciativas relacionadas com o tema.

Para "corrigir a memória" e contar a história "de forma verdadeira", a Fundação Aristides de Sousa Mendes marcou presença, esta quarta-feira, na evocação do Dia Internacional do Holocausto organizada pelo Colégio Luso-Internacional do Porto (CLIP).

"O legado [deixado por Aristides de Sousa Mendes] tem de ser utilizado com conhecimento de causa, já que há a consciência de valores importantes, como a solidariedade com os povos", disse, ao JPN, António Moncada de Sousa Mendes, neto de Aristides e membro da administração da fundação.

Os descendentes do diplomata português, que salvou milhares de pessoas do genocídio nos anos 40, deslocaram-se ao CLIP a convite da instituição, que tem vindo a programar uma série de iniciativas sobre o Holocausto. Uma prova, diz Álvaro Apoim de Sousa Mendes, presidente da fundação, de que a mensagem que o seu avô transmitiu "continua a ser actual, pois trata-se de um verdadeiro amor pelo próximo".

Os netos de Aristides Sousa Mendes também falaram sobre as iniciativas da Fundação Aristides Sousa Mendes. Acções nas escolas, como a que aconteceu no CLIP, e o apoio a investigadores na publicação de livros e filmes (como é o caso de "O Cônsul de Bordéus", que estreia em Junho nas salas portuguesas) são algumas das actividades da instituição.

Os netos pretendem ainda que a Casa do Passal, onde morou Aristides de Sousa Mendes, seja aberta ao público. Lá vai ser possível ver objectos e livros da biblioteca do diplomata, "para que se torne numa casa de paz e memória". A propriedade, que tinha sido perdida pela fundação com a morte do cônsul, em 1956, foi recentemente adquirida pela instituição.

Para assinalar a efeméride, os alunos do CLIP preparam uma exposiçãoexposição sobre o tema e construíram, simbolicamente, um Muro das Lamentações.O Dia Internacional do Holocausto foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas para a memórias das vitimas. Foi a 27 de Janeiro que as tropas soviéticas entraram no campo de concentração de Auschwitz. Natália Almeida, membro e activida da Amnistria Internacional, relembra, a este propósito, que ainda existem genocídios actualmente, como o que acontece em Darfur, no Sudão.

http://jpn.icicom.up.pt/2010/01/27/holocausto_netos_de_aristides_de_sousa_mendes_querem_corrigir_a_memoria.html

Parlamento de Portugal aprova Dia de Memória do Holocausto

A Assembleia da República aprovou por unanimidade a instituição do dia 27 de Janeiro como o Dia de Memória do Holocausto para «não deixar esquecer uma tragédia sem dimensão» e «a opressão contra os judeus e as minorias».

A iniciativa, subscrita por todos os partidos com representação parlamentar, mereceu também o apoio do Governo, pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão.

Lacão apontou o Holocausto como um acontecimento da História contemporânea que merece «um convicto e determinado nunca mais».

«Recordar o Holocausto é algo a que as sociedades actuais não se podem furtar», para que não se esqueçam os «fenómenos de intolerância, racismo, homofobia e xenofobia» que «recrudescem em vários pontos do mundo», afirmou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

«A luta da liberdade contra a tirania é também a luta da memória contra o esquecimento», referiu.

O deputado do CDS-PP João Rebelo salientou a «tragédia sem dimensão» do Holocausto e manifestou o desejo de que os campos de concentração nazis «não possam encontrar o esquecimento da História».

Pelo PS, a deputada Rosas Albernaz apontou este acontecimento como «um período de trevas» que «atingiu as dimensões da loucura» e defendeu que a consagração deste dia «honra os princípios humanistas e progressistas em que se fundou o Portugal democrático».

Já Luís Campos Ferreira, do PSD, disse que este Dia de Memória do Holocausto é um «combate ao branqueamento e ao silêncio» e «um grito intemporal» para que a História não se repita.

O BE considerou o Holocausto «uma vergonha para a condição humana» e o «grotesco resultado das teses segundo as quais há pessoas supérfluas».

«O direito a ter direitos é a expressão da dignidade intrínseca de todos e de todas, independentemente da raça, do sexo, da orientação política, da religião», afirmou o líder parlamentar José Manuel Pureza.

O deputado do PEV José Luís Ferreira sublinhou que os partidos devem ter um papel de «responsabilidade de estarem atentos aos fenómenos do racismo e da xenofobia».

Finalmente, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, criticou «as atrocidades do nazi-fascismo» na «opressão contra o povo judeu e as minorias».

http://diario.iol.pt/sociedade/parlamento-memoria-holocausto-tvi24-ultimas-noticias/1135135-4071.html

quarta-feira, janeiro 13

Das dores e misérias humanas

Das dores e misérias humanas

http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/940222.html

Setenta anos depois do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), obras como o recém-editado O Diário de Mary Berg são capazes de surpreender com relatos de sofrimentos sofridos no gueto judeu de Varsóvia

Carlos Eduardo Bezerra
especial para O POVO

26 Dez 2009 - 00h29min

O sofrimento do judeus nos campos de concentração da Polônia são retratados em O Diário de Mary Berg (Divulgação)
Já uma vez me ocupei das cartas em artigo publicado nas páginas de O POVO. Desta vez, ocupo-me do diário. Este, assim como as cartas, biografias, autobiografias e memórias, faz parte da escrita do eu. Confesso que tenho interesse especial por este tipo de literatura.

Setenta anos após o início da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), as publicações a respeito do tema não deixam de nos surpreender. Apesar da data, o efeito da surpresa em nada parece com o de um presente de aniversário. Surpreendente é o fato de que a maldade e a miséria humanas podem não ter fim.

É ainda mais surpreendente que homens e mulheres, vivendo no caos, conseguiram resistir e manter a lucidez. Este é o caso de O diário de Mary Berg - memórias do gueto de Varsóvia, publicado no Brasil pela editora Monole com tradução de Geraldo Galvão Ferraz.

Alguns críticos afirmam que tantas publicações e filmes constituem uma espécie de indústria do holocausto. Se há tal indústria, não tenho elementos para confirmar. Porém, desconfio da ideologia por trás deste tipo de afirmação.

Estou certo de que tudo que foi publicado e filmado a respeito do holocausto ainda não é suficiente para nos ensinar sobre a garantia dos direitos fundamentais do ser humano. Estes foram atacados não somente na guerra citada. Ainda hoje, eles são atacados em conflitos pelo mundo, inclusive no Brasil.

Assim, O diário de Mary Berg chegou às livrarias brasileiras para nos lembrar que precisamos estar vigilantes. Em edição bem cuidada, com capa dura e excelente tratamento gráfico, o diário ganhou um corpo mais consistente, como também o é o seu conteúdo, um legado importante para todas as gerações, cabendo-lhe bem as palavras do profeta Joel, que servem de epígrafe a este artigo.

As capas desta edição do diário são amarradas com um fio de algodão rústico. Mais do que amarrar, o fio serve para nos lembrar que o conteúdo do diário foi segredado por algum tempo e que escrevê-lo não foi tarefa das mais fáceis. Sua autora podia ser morta se fosse pega com os frágeis cadernos nos quais anotava os fatos ocorridos em sua volta.

O que Mary Berg escreveu é um dos exemplos da chamada literatura de cárcere e, mais especificamente, um exemplo de diário do holocausto, como o é também O Diário de Anne Frank, este bem mais conhecido, e tantos outros diários e memórias que foram publicados após o fim da Segunda Guerra.

Muitas crianças e adolescentes escreveram esses diários como forma de encontrar "algum conforto e manterem-se ocupadas", afirmou Alvin Rosenfeld em seu livro A double dying: Reflections on Holocaust Literature. Portanto, os diários do holocausto são fontes importantes para tentarmos compreender o incompreensível.

Quando os nazistas invadiram a Polônia, Mary Berg tinha 15 anos. A este respeito lemos: "Hoje fiz 15 anos. Sinto-me muito velha e solitária, embora minha família tenha feito de tudo para tornar este dia um aniversário de verdade."

Com idade de Mary Berg não se esperava que uma adolescente visse e registrasse o que ela viveu, sobretudo por ter sido pega de surpresa: "Mal dá para acreditar que há apenas seis semanas minha família e eu estávamos na encantadora estância de Ciechocink [...] eu não tinha ideia do que nos estava reservado."

Estes fatos foram registrados no dia 10 de outubro de 1939, primeira data do diário, que vai até 5 de março de 1944, quando a família Wattenberg chegou a Lisboa e embarcou em direção a NY: "Nosso trem aproxima-se de Lisboa. Posso ver as velas de vários navios. Alguém no nosso vagão acabou de gritar a palavra -Gripsholm-. Essa palavra sueca desconhecida significa -liberdade para nós-."

A mãe de Mary Berg era norte-americana, fato que ajudou os Wattenberg durante os anos de terror vividos no gueto: "Minha mãe pregou na porta seu cartão de visitas com a inscrição -cidadã norte-americana-. Essa inscrição é um talismã maravilhoso contra os bandidos alemães que entravam livremente em todos os apartamentos judeus."

Seu pai era um comerciante de artes sobre quem afirmou: "Estamos novamente em Lodz. Achamos nossa loja e nosso apartamento completamente saqueados. Os ladrões haviam cortado os quadros maiores das suas molduras. Meu pai está triste pela perda do Poussin e do Delacroix que comprou em Paris..."

Mary Berg é uma sobrevivente do gueto de Varsóvia, conhecido pelo maior levante contra o exército nazista ocorrido em 1943. Escrito originalmente em polonês, o diário foi publicado nos EUA, em inglês, antes que a guerra terminasse.

A sua publicação foi parte de uma campanha para alertar o mundo do que ocorria na Alemanha e nos países invadidos pelos nazistas: a fome, o frio, as doenças, sobretudo o tifo, e a maldade levou 6 milhões de judeus à morte, além de ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e quem mais discordasse do Reich.

Dentre as muitas passagens do diário que eu poderia destacar neste artigo, transcrevo uma que me parece especial, pois Mary Berg estava vivendo a sua segunda primavera no gueto. Para uma adolescente aquela não era, certamente, a primavera que ele desejava viver:

"Do outro lado do arame farpado, a primavera está à toda. Da minha janela, posso ver meninas com buquês de lilás, andando na parte ariana da rua. Posso até sentir a suave fragrância dos botões abertos. Mas não há sinal de primavera no gueto. Aqui, os raios de sol são engolidos pelas calçadas cinza-escuro. No peitoril de algumas janelas, crescem hastes finas de cebolas, mais amarelas que verdes. Onde estão meus encantadores dias de primavera em anos passados, os alegres passeios no parque, os narcisos, lilases e magnólias que costumavam encher meu quarto? Hoje, não temos flores, não temos plantas verdes."

Hoje, quando temos flores e plantas verdes, e estamos vivendo a primavera com os ipês amarelos, rosas e brancos floridos, as palavras de Mary Berg em seu diário devem ter o cheiro e a cor da liberdade conquistada pela luta constante em favor da dignidade humana. Por seu valor como registro histórico, pelo bom uso da linguagem, a leitura de O diário de Mary Berg é mais do que recomendada: é essencial!

CARLOS EDUARDO BEZERRA é doutor em Letras pela Unesp.


SERVIÇO

O DIÁRIO DE MARY BERG - MEMÓRIA DO GUETO DE VARSÓVIA - Obra da sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, Mary G. Berg. Tradução: Geraldo Galvão Ferraz. Editora Amarilys/Manole. 352 pags. Preço: R$ 49,00.

Sobrevivente tem pesadelos com Holocausto e escreveu livro "por dever"



Fabiana Seragusa
Colaboração para a Folha Online


Henry Katina tinha 13 anos quando foi levado ao campo de concentração Auschwitz, em maio de 1944, mas mentiu ter 18 para continuar vivo. Logo na chegada, foi separado de sua mãe e de seu irmãozinho de 9 anos, e um de seus maiores arrependimentos foi justamente não ter se despedido dos dois na ocasião – ele nunca mais chegou a vê-los.
"Aquele momento foi muito difícil de esquecer, o que me atormentou mais tarde, pelo fato de não ter dito adeus (...). Mas, naquela hora, quem poderia adivinhar o destino que nos esperava?", conta em um dos trechos do livro "Passagem para a Liberdade" (Geração Editorial, 2009), que mostra detalhes dos dias mais traumáticos de sua vida.

Em entrevista à Livraria da Folha, o sobrevivente do Holocausto – que mora atualmente no Brasil – diz que continua a ter pesadelos com o período de privações e violências físicas e emocionais, mesmo depois de 65 anos. "É horrível sonhar com meu passado, com o campo [de concentração] e minha tentativa de fugir ou de ser iminentemente preso."

Katina diz que carrega um "pesado trauma" por todas as perdas que o Holocausto lhe causou: seus pais e três de seus irmãos morreram. "Sofro constantemente a perda deles, especialmente do meu irmãozinho de 9 anos e de meu irmão Yankel, de 26 anos."

Henry Katina, que demorou pouco mais de um ano para escrever "Passagem para a Liberdade", diz que apresentou uma série de palestras em colégios católicos, para alunos de 16 a 18 anos, e que eles sempre ficavam muito atentos às histórias. "Os professores comentavam que raramente observavam um silêncio e um interesse tão grandes."

Ele também conta que, em um determinado colégio, logo quando ele terminou de falar sobre sua experiência durante o Holocausto, os alunos subiram ao palco para abraçá-lo. "Foi uma forma de expressão e simpatia, fiquei muito emocionado."

Em meio a estas demonstrações de carinho, Katina decidiu escrever um livro contando detalhes dos momentos terríveis que passou a partir de maio de 1944, quando foi levado pelos homens de Hitler, em vagões de carga, para o campo de concentração de Auschwitz.

"Inicialmente, pensei em relatar minha experiência para meus filhos, netos e para futuras gerações. Senti como um dever aos meus pais e irmãos escrever este livro, para demonstrar as injustiças praticadas por seres tão bárbaros. E nós não devemos esquecer o que aconteceu."

"Passagem para a Liberdade"
Autor: Henry Katina
Editora: Geração Editorial
Páginas: 208
Quanto: R$ 23,92
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou na Livraria da Folha.

terça-feira, janeiro 12

Macabi na Europa antes da WW2 e Medalhistas Judeus da Olimpíada de 1936

Textos principais traduzidos para português e alguns slides acrescentados sobre os judeus medalhistas da Olimpíada de 1936 em Berlim.

E muito material inédito sobre os jovens judeus atletas do Macabi por toda a Europa. Judeus muito diferentes daquele estereótipo do shtetel, smepre lembrando que dos 3,5 milhões de judeus poloneses de antes da guerra, apenas uns 35% eram religiosos hassídicos, o que dá um impressionante número de mais de 1 milhão...

Há um material muito curioso sobre Macabíada Alemã em Berlim em 1934 e Mundial também em Berlim em 1935, mesmo com todo o antissemitismo. Em alguns momentos as autoridades alemãs exigiam que as comunidades judaicas aparecessem para mostrar ao mundo que estava "tudo bem" e não consegui saber muito mais sobre estes dois eventos esportivos.

As imagens NÃO valem mais que mil palavras e precisávamos ter mais contexto sobre elas. Mas é um conjunto impressionante de uma pujante vida judaica moderna e inserida na sociedade que foi aniquilada pelos nazistas.

Lista de Clubes Judeus na Alemanha Nazista

Dentro da nova filosofia de ensino do Yad Vashem precisamos entender não mais o massacre da Shoa, mas a vida que se perdeu e como se vivia sob o jugo nazista. Entre 1933 e 1941 com as leis que restringiam a convivência de judeus com o resto dos alemães, houve um crescimento muito grande do número de escolas, sinagogas e clubes judaicos, pois não era permtido aos judeus frequentar locais arianos. A lista abaixo é dos clubes de esportes apenas judaicos na Alemanha de 1933 até a matança ser implementada. É surpreendente. E os nomes remetem quase 100% à resistência judaica dos Macabeus e o Shimon Bar Kochba que liderou a terceira revolta contra os romannos nos anos 132 a 135 dc. O outro nome que aparece mais é Hakoach (Koach é força em hebraico).

Makkabi Aachen
Makkabi Altona
Bar Kochba Aschaffenburg
Hagibor Berlin (students)
JSK Berlin
Hakoah Beuthen (now Bytom) *
Makkabi Bielefeld
Bar Kochba Bingen
Makkabi Bonn
Bar Kochba Bottrop
Makkabi/Tzair Brandenburg/Havel
Makkabi/Tzair Brakel
Bar Kochba Braunschweig *
Bar Kochba Breslau (now Wroclaw) *
Bar Kochba Danzig (now Gdansk) *
Hakoah Dortmund
Bar Kochba Duisburg *
Bar Kochba Emden
Hakoah Essen
Bar Kochba Frankfurt a.d. Oder
Bar Kochba Freiburg (im Breisgau)
Bar Kochba Fulda
Bar Kochba Friedeberg
Bar Kochba Gladbeck *
Makkabi Gelsenkirchen
Bar Kochba Gelsenkirchen *
Bar Kochba Gleiwitz (now Gliwice) *
Bar Kochba Glogau (now Glogów)
Makkabi Hagen
Bar Kochba Halle *
Bar Kochba Hamm
Bar Kochba Hanau
ITUS Herne
Hakoah Hamborn
Hakoah Heilbronn
Hakoah-Bar Kochba Hindenburg (now Zabrze) *
Bar Kochba Hildesheim
Makkabi Hochneukirch
Hakoah Jülich
Bar Kochba Kassel
Hakoah Karlsruhe
Bar Kochba Karlsruhe
Bar Kochba Kattowitz (now Katowice)
Hakoah Kreuzberg (now Kluczbork)
Bar Kochba Konstanz
Bar Kochba Kaiserslautern
Makkabi Koblenz
Makkabi Krefeld
Makkabi/Tzair Lauenburg (now Lebork)
Bar Kochba Lübeck *
Bar Kochba Ludwigshafen
Bar Kochba Magdeburg *
Bar Kochba Mainz
Bar Kochba Mannheim *
Bar Kochba Marburg
Makkabi Mörs
Makkabi München Gladbach (now spelled Mönchengladbach)
Makkabi Neuwied
Makkabi Neuss
Makkabi Nordhausen
Hakoah Oberhausen
Bar Kochba Oberhausen *
ISV Offenbach
Makkabi Oppeln (now Opole)
Bar Kochba Osnabrück
Makkabi Peine
Bar Kochba Remscheid *
ITUS Recklinghausen
Bar Kochba Scheidemühl
Bar Kochba Siegen
Bar Kochba Stadtoldendorf
Bar Kochba Stettin * (now Szczecin)
Makkabi/Tzair Stolp (now Slupsk)
Bar Kochba Schweinfurt
Bar Kochba Schwerte
Hakoah Stuttgart
Bar Kochba Trier
Hakoah Ülzen
Bar Kochba Ulm
Bar Kochba Vacha
Hakoah Wiesbaden
Bar Kochba Wittich
Hakoah Würzburg
Bar Kochba Wuppertal

Vítimas do Holocausto pedem que rabino conte ao papa sua dor

Existe opinião e existe história. Ambos artigos estão errados (em minha opinião) e cada um puxa a brasa para sua sardinha. Pio XII não foi um "tenaz" crítico do nazismo e sim um tenaz crítico do comunismo. E essa de que ele teria salvo 700 a 860 mil judeus??? De onde? Para onde? Quem teriam sido estas pessoas? É impressionante um autor como o da segunda matéria jogar um número destes como se fosse verdadeiro e se vc fizer as contas vai acreditar que Pio XII salvou "quase um sexto dos judeus que foram mortos no Holocausto". Conta perigosa. O artigo original mais abaixo diz "O historiador judeu cita inclusive a obra "Three Popes and the Jews", do diplomático judeu Pinchas Lapide, cônsul israelense em Milão, segundo o qual  Pio XII salvou com certeza a vida de 700.000 hebreus, e provavelmente chegou a salvar até 860.000 da maquinaria assassina dos nazistas." Mas o texto original de Pinchas Lapide de 1967 é bem diferente: "...estima que Pio XII e inúmeros padres, freiras e leigos católicos tenham salvo de 700 mil a 850 mil judeus da fúria nazista até à custa da própria vida em não poucos casos." Não foi o Papa, mas ações individuais sem apoio do Vaticano.

O que temos de dados absolutamente reais é o seguinte e não podemos esquecer que o Vaticano primeiro foi sitiado, mesmo que não abertamente por Mussolini e depois de sua queda, pelos nazistas alemães. De qualquer forma o Vaticano e a Igreja em todo o mundo apoiaram Mussolini, Franco e outros facistas (veja parte do discurso do Cardeal de Montreal de 1938 em anexo)

Foram dois Papas envolvidos com o mesmo nome e talvez isso faça toda a confusão. Igualzinho o caso de Herodes da história de Jesus, que na verdade não era o Herodes preposto romano que governou bem para os judeus, construiu Massada etc, mas Herodes Antipas (nome derivado do seu avô, alto oficial militar de Chipre, Antipater). Nem precisa perguntar de onde vem o termo "antipático" de nossa língua...

Bem, mas eram dois Pios. O Pio XI foi de 1922 a 1939. ATENÇÃO... 1939 !!! Ele teve um ataque cardíaco antes da Missa do Galo em 25 de dezembro de 1938, amplamente divulgado nos jornais de todo o mundo e veio a falecer alguns meses depois. Portanto, PIO XI foi o Papa não só da ascenção do nazismo, como da consolidação do comunismo. Com os nazistas, apenas partir de 1935 o Vaticano fez um acordo para que o Partido Nazista respeitasse as propriedades da Igreja e seus clérigos na Alemanha. No início o acordo foi cumprido, mas nos dias que antecederam e sucederam a Noite dos Cristais houve também vandalismo e depredações de igrejas na Alemanha e Áustria (ninguem quer falar nisso - veja uma da manchetes em anexo) e até mesmo alguns bispos foram retirados de casa ou de suas igrejas e espancados pelos SA e populares. Com os luteranos, cisão da Igreja por Martinho Lutero de mais de 400 anos a coisa foi diferente. A maioria cristã alemã era Luterana. É baseado nos dois livros super antissemitas de Lutero que se formou a base de 400 anos de antissemitismo na Alemanha o que permitiu sua população aceitar ver e participar do extermínio dos judeus. A Igreja católica era minoria lá e não faltam histórias e clérigos enviados para campos e mortos lá junto com os outros. Mas já ouviu alguma história de clérigos luteranos mortos no Holocausto? Eu não ouvi. A via luterana não era religião oficial dos nazistas, que não tinham nenhuma. Não se pode perder o foco de que começaram como socialistas com o conceito de total separação de Igreja e Estado.

Você jamais vai me ver impressionado com "I Have a Dream" de Martin Luther King (Martinho Lutero o Rei...) Meia revelação do dia: esse aí era o Junior, filho do agricultor e depois pregador Martin Luther King, cujo nome de nascença até se tornar pregador era Michael King, nascido em 1864. Portanto a escolha do novo nome foi intencional. Ninguém adota tal nome se não concordar com o que o sujeito escreveu. Neste caso, o artigo da Wiki com um resuminho tá bom. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sobre_os_judeus_e_suas_mentiras

E é um dos motivos do Vaticano ter feito acordos para salvar suas propriedades lá. Pois na Rússia, perderam tudo o que tinham, como ocorreu com todas as outras religiões. Então na visão católica, quem era o maior inimigo: o que baniu Deus e todas as religiões, que confiscou todas as prorpiedades ou com o qual se podia fazer um acordo?

O Vaticano está aí para os interesses católicos e não para os interesses judaicos..
. Esperar que o Vaticano como instituição, ou seu escritório da Inquisição - Congregação Para a Doutrina da Fé (que existe até hoje e foi dirigido por Ratzinger antes de se tornar o atual Papa) defendam e protejam judeus é querer o impossível.

Note o problema do historiador e do jornalista. Se eu terminar com PIO XI aqui, terei dito a mais pura verdade, terei pintado um quadro desfavorável e vc terá a impressão de que ele compactuava com o nazismo. Mas a história não em bem essa (creio que é um dos termo que mais uso...). Além do acordo com os nazistas em 1933, assim que Hitler assumiu o poder, Pio XI fez acordos com outros 14 países para proteger os interesses da igreja, suas propriedades, escolas, jornais, clérigos e intelectuais. Em pouco tempo, tudo que estava no acordo foi violado pelos nazistas com censura aos jornais católicos e clérigos enviados para Dachau como inimigos do Estado.

Em 14 de março de 1937, Pio XI publica uma encíclica onde se lê: "A Igreja Católica cumpriu sua parte (qual seria? eu anda não descobri) mas O OUTRO LADO (os nazistas) sistematicamente violou tudo... Os principais itens do acordo estão aqui em ingles e não citam obrigações da Igreja e sim seus direitos. A Igreja católica não pode aceitar a teoria racista pois todos os homens nascem à imagem e semelhança de Deus... (a Igreja Católica) não tem na contra o regime (nazista) pois cada povo tem o direito de dar a si mesmo o regime que quiser." É assim que Pio XI se referiu de forma final ao nazismo. Na mesma encíclica o Papa condena o "paganismo" dos nacional-socialistas.

Os principais itens do acordo entre o Vaticano e Hitler estão aqui

    * The right to freedom of the Roman Catholic religion. (Article 1)
    * The state concordats with Bavaria (1924), Prussia (1929), and Baden (1932) remain valid. (Article 2)
    * Unhindered correspondence between the Holy See and German Catholics. (Article 4)
    * The right of the church to collect church taxes. (Article 13)
    * The oath of allegiance of the bishops: "(...) Ich schwöre und verspreche, die verfassungsmässig gebildete Regierung zu achten und von meinem Klerus achten zu lassen (...)" ("I swear and vow to honor the constitutional government and to make my clergy honor it") (Article 16)
    * State services to the church can be abolished only in mutual agreement. (Article 18)
    * Catholic religion is taught in school (article 21) and teachers for Catholic religion can be employed only with the approval of the bishop (article 22).
    * Protection of Catholic organizations and freedom of religious practice. (Article 31)
    * Clerics may not be members of or be active for political parties. (Article 32)

A secret annex relieved clerics from military duty in the case that mandatory military service should be reinstated.



Mas 5 dias depois ele publica outra encíclica "contra o comunismo ateu" e aí as palavras são bem mais duras: "É o inimigo número um da Igreja e condeno  todos os regimes que o aplicam. Está proibido aos católicos ajudar ou apoiar países comunistas: União Soviética, Espanha (estava em guerra civil com o fascista Franco em vias de assumir o poder apoiado pela Alemanha e Itália, também com massacres terríveis de comunistas e democratas - mas por que o Vaticano define a Espanha como comunista se era uma república eleita democraticamente em 1931 e em cujo parlamento os comunistas tinham apenas 0,7% de representação? Porque a constituição republicana da Espanha criou a separação Igreja/Estado. O clero Espanhol apoiou Franco na Guerra Civil, ou seja, apoiou abertamente o fascismo) e o México..." Mas pera aí? México comunista em 1939? É o mesmo caso da Espanha só que bem anterior pois a constituição da república mexicana definiu a separação Igreja/ Estado em 1917, durante a Pirmeira Guerra Mundial... Lendo isso fica muito claro qual era o alinhamento do primeiro Pio da questão e do Vaticano.

Mas ainda não termina. Após a Noite dos Cristais (9-10 novmebro de 1938) o Vaticano SE POSICIONA e Pio XI escreve a "Humani generis unitas" (conhecida erradamente por Encíclica Contra o Racismo e o Antissemitismo) com 170 parágrafos. Acertou. Não foi publicada devido ao ataque cardíaco do Natal como vimos acima. E não foi publicada por Pio XII. Se vc é teórico da conspiração precisa imaginar que ele foi assassinado para que não publicasse... Mas o texto existe e foi divulgado na França apenas em 1997, Isso é o que me foi ensinado na Universidade Hebraica de Jerusalém. Mas bom aluno não aceita estas colocações e vai ler os textos.

Pio XII não publicou a "Humani generis unitas" cujos 108 últimos parágrafos foram escritos por jesuítas, devido ao pesado conteúdo antissemita dela. É exatamente o contrário do que se ensina neste tipo de assunto.

A "Humani generis unitas" era alinhada com um Vaticano fascista e com a perseguição aos judeus. Culpava os judeus pela morte de Jesus, "O ato verdadeiro pelo qual o povo judeu condenou a morte seu salvador e rei, nas palavras fortes de São Paulo, a salvação do mundo... Os judeus eram materialistas cegos... Poucas almas judias escolhidas entre os discípulos... Ao longo dos séculos poucos judeus foram a exceção (e aceitaram o messias)..." e arremata com: "Pela misteriosa providência de Deus, este povo infeliz (os judeus), destruidores de sua própria nação, aqueles que guiaram líderes de forma errada e proposital chamaram para si a maldição divina sob suas cabeças, amaldiçoados e condenados, como foi, a perpetuamente vagar na face da terra sem nunca ser permitido que pereçam, mas eles perseveraram através das eras até nosso próprio tempo. Não há nenhuma razão natural que explique essa longa persistência, essa indestrutível coesão do povo judeu." Imagine isso sendo publicado no Natal de 1938, quando era previsto? Talvez a matança começasse naquele momento.

Vc não vai encontrar na biblioteca do Vaticano mas pode ler em inglês neste link as partes destacadas sobre os judeus e sobre o antissemitismo. No início há uma crítica ao que ocorria na Alemanha, mas em seguida há uma consideração de que isso era positivo e até mesmo um descalabro do Vaticano afirmando que através dos tempos "protegeu os judeus das perseguições..." http://www.bc.edu/research/cjl/meta-elements/texts/cjrelations/resources/education/humani_generis_unitas.htm (é da universidade Boston College).

Pio XII assumiu em 2 de março de 1939 e foi até 1958; Em todas as encíclicas de PIO XII não existe a palavra "judeus", "assassinato", "massacre" etc. Nem durante, nem depois do Holocausto. O Vaticano não se posicionou e muito menos salvou 850 mil judeus, nem depois da divulgação em todo o mundo sobre os campos de concentração, trabalho escravo e extermínio, ou sobre os massacres dos Eizatsgruppen com a participação da população local nos Estados Bálticos - 1,5 milhões de judeus abatidos.

No final de 1942 em uma de suas encíclicas, PIO XII diz:  "há pessoas que estão sendo assassinadas devido a sua fé e convicções". Ele nunca disse que os nazistas estavam matando judeus. e continua " (pessoas) sofrendo por sua religião e procedência", mas também não diz que são os judeus. Afinal, quanta gente estava sendo morta a essa altura?

Em 12 de outubro de 1939 Pio XII publicou sua primeira encíclica, a Summi Pontificatus que era basicamente a "Humanis" não publicada, retiradas todas as referências racistas aos judeus. Pode ser lida no site do vaticano http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_20101939_summi-pontificatus_en.html

E na América? Qual foi o reflexo? As igrejas locais não tiveram nenhum exemplo a ser seguido contra o nazismo, mas sim, contra o comunismo e publicaram isso rapidamente. Em anexo, uma publicação canadense da época. Pela data pode-se ver a rapidez da divulgação. Mas a de 12-out-1939 levou de 3  a 12 meses para ser publicada na totalidade das Américas.

Mesmo com isso tudo ainda sobrou espaço para a revelação mais contundente do dia. De onde vem o termo "Santa Sé" para designar o Vaticano? Em inglês é "Holly See" (Olhar Sagrado)... "Sé"? Sei lá...

José Roitberg - jornalista

sábado, dezembro 26

"Noite sagrada uma ova!": o Natal dos nazistas em exposição - Deutche Welle

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5057373,00.html?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

(clique na imagens para originais maiores)

"Noite sagrada uma ova!": o Natal dos nazistas em exposição

 

Celebrar o nascimento de um menino judeu era impensável: em 1933-45, nacional-socialistas da Alemanha instrumentalizaram o Natal, descristianizando-o. Certas marcas perduram até hoje. Exposição em Colônia esclarece.

 

O Natal é o ponto alto no calendário religioso da Alemanha. Muitas das tradições, imagens e melodias cultivadas ao redor do mundo têm sua origem nos países de língua germânica. Estrelas cintilantes decorando a árvore, um angélico bebê de cabelos claros, presentes embalados com esmero, canções entoadas por coros de igreja – na Alemanha, tudo isso faz parte das festividades em torno do nascimento de Jesus Cristo.

Entre 1933 e 1945, sob o Terceiro Reich, o Natal era exatamente tão popular quanto hoje. Só que a homenagem ao nascimento de um menino semita – ainda que celebrado como o Redentor cristão – era coisa difícil de conciliar com as máximas e metas dos nazistas no poder. Em consequência, os ideólogos de Adolf Hitler decidiram extirpar o simbolismo cristão da festa.

Julfest

Sede do Centro de Documentação Nacional-Socialista de ColôniaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Sede do Centro de Documentação Nacional-Socialista de Colônia

O Centro de Documentação Nacional-Socialista de Colônia lançou uma exposição especial sobre o Natal na propaganda política. "Von wegen Heilige Nacht!" ("Noite sagrada uma ova!") vai até 17 de janeiro de 2010 e documenta a tradição natalina durante o Terceiro Reich.

Jürgen Müller, que encabeça a equipe de pesquisadores da mostra, confirma: "Celebrar o nascimento de um judeu era impensável para os nazistas". Mas a festividade era popular demais para que se permitissem bani-la. "Portanto, decidiram corrompê-la", define.

Primeiro, os cabeças do regime tentaram suprimir todas as tradições cristãs. Eles rebatizaram o Natal como Julfest e propagaram as raízes germânicas da celebração da luz em 21 de dezembro, o solstício de inverno. Como, no entanto, para a maioria das famílias alemãs o espírito cristão continuou predominando, foram forçados que mudar de tática.

Jesus ariano

Treinamento precoceBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Treinamento precoce

Os nazistas reinterpretaram as imagens clássicas do Menino Jesus com José e Maria, seus amorosos pais, como o modelo da família ariana, à qual conferiam significância quase sagrada. E assim o foco natalino deslocou-se de Cristo para a família.

'Não se esqueça de encomendar os pacotes de Natal para a zona soviética'Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  'Não se esqueça de encomendar os pacotes de Natal para a zona soviética'

As Igrejas, apesar de indignadas com os esforços do regime para solapar crenças centrais da Cristandade, eram impotentes para protestar contra o curso dos eventos. "A reação da Igreja não foi muito pronunciada. Por volta de 1936-1937, o governo nazista era tão poderoso que sua possibilidade de resistir era mínima", lembra Müller.

Nenhum aspecto das festividades natalinas permaneceu a salvo do simbolismo nazista. A árvore, há muito um componente central do culto, foi despida de suas decorações tradicionais. Estrelas, anjos, sinos, frutas e doces foram substituídos por cruzes suásticas e ornamentos em forma de canhões, granadas e aviões de combate. No topo, em vez de um anjo ou estrela, uma águia dourada de asas abertas, símbolo nacional alemão. Até mesmo o papel de presentes era ilustrado com simbolismo nacional-socialista.

Letras nazistas que persistem

Suástica substituía estrelasBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Suástica substituía estrelas

O ornamento mais difícil de reprimir foi a estrela: a tradicional, natalina, de seis pontas, lembrava demais a estrela amarela que os judeus eram obrigados a portar, para identificação imediata. As de cinco pontas evocavam a estrela vermelha do inimigo soviético. A solução foi banir inteiramente esse tipo de forma geométrica.

Também as eternas canções de Natal foram devidamente descristianizadas por compositores ligados ao sistema. "Algumas ganharam novas letras, outras foram completamente recriadas", explicou à Deutsche Welle Barbara Kirschbaum, do Centro de Documentação Nacional-Socialista de Colônia.

Uma das canções transformadas, Es ist für uns eine Zeit angekommen (Chegou um tempo para nós) continua popular. Quem até hoje a canta, mesmo nas igrejas, na versão nazista, em princípio não tem consciência da história por trás da letra, observa Kirschbaum.

Lições para o presente

Segundo a funcionária do centro de documentação, com a atual exposição se tenta descobrir o que é possível aprender através do modo como os nazistas manipularam o imaginário natalino. E aguçar a percepção para os mecanismos em jogo. Kirschbaum insiste que se compreenda que são as pessoas a configurar a história, e que a propaganda é usada para reescrevê-la.

Decoração natalina em forma de granadasBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Decoração natalina em forma de granadas

"Geralmente, os visitantes mais idosos ficam primeiro tocados pelas lembranças infantis que os objetos reavivam. Mas gradualmente veem o propósito por trás das coisas, algo de que não se deram conta quando eram jovens. E isso os assusta: perceber o uso que se fazia das coisas, e como suas crenças de criança eram usadas para os fins de propaganda."

A reação dos mais jovens à mostra é ainda mais drástica. Jonas Rahimi, de 15 anos, revelou estar chocado pelas marcas profundas que o nazismo deixou nas festividades de Natal da Alemanha. "Os nazistas realmente impingiam seus pontos de vista radicais em todas as partes da vida. Havia até um joguinho de guerra para as crianças. Estou muito chocado", comentou o colegial, completando achar importante as pessoas lembrarem o que aconteceu, "pois foi crucial, e não deveria cair no esquecimento".

 

Autor: Faith Thomas (av)

Revisão: Roselaine Wandscheer

quarta-feira, dezembro 2

Os espiões de Hitler no Brasil

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=946750&tit=Os-espioes-de-Hitler-no-Brasil

Rede de espionagem foi montada aproveitando a simpatia de Getúlio Vargas pelo nazifascismo

Não é segredo para ninguém que a ditadura do Estado Novo (1937-1945) chegou a flertar com o Eixo antes de alinhar-se aos Aliados e declarar guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão. A própria Constituição outorgada por Getúlio Vargas tinha inspiração nazifascista. Movimentos como a Ação Integralista Brasileira (AIB), liderada pelo jornalista Plínio Salgado e pelo jurista Miguel Reale, tinham nítida influência do ideário do führer Adolf Hitler e do duce Benito Mussolini. Nesse cenário, ideias racistas e totalitárias floresceram no Brasil. O que permaneceu por mais de meio século fora do conhecimento da maior parte dos brasileiros foi a rede de espionagem montada no país por simpatizantes do nazismo. "Era uma espécie de braço da Abwerh [serviço de informações das forças armadas do Terceiro Reich]", explica a professora Priscila Ferreira Perazzo, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, cujas teses de mestrado e doutorado tratam do assunto.

Com a abertura dos arquivos dos antigos De­­partamentos de Ordem Política e Social (Dops) das polícias civis dos estados brasileiros, nos anos 90 do século passado, milhares de documentos sobre o nazismo no Brasil vieram à tona. São inquéritos policiais, imagens fotográficas, panfletos, depoimentos e relatórios que hoje estão disponíveis para consulta em arquivos públicos. Fundada em 1928, a célula brasileira do Partido Nazista atuou por mais de dez anos, chegando a reunir 2,9 mil filiados. Com sede nacional em São Paulo, o partido tinha escritórios regionais no Rio (então capital federal), Minas e Rio Grande do Sul.

Embora atuassem nas cidades com forte presença da comunidade alemã, os nazistas que atuaram no Brasil pouco se assemelhavam aos colonos que migraram para o Brasil no século 19. Eram militantes treinados na Alemanha que vinham ao país com a missão de propagar a ideologia hitlerista, atuando inclusive como professores nas escolas mantidas pela comunidade alemã. Descendentes de alemães nascidos no Brasil não eram admitidos no partido, que não se envolvia diretamente com a política nacional, embora o departamento de propaganda alemão fizesse um trabalho intenso buscando a simpatia da opinião pública brasileira. Oscilando ora para o lado do Eixo, ora com acenos aos Aliados, o regime de Vargas tolerou durante anos as atividades nazistas no Brasil. Oficialmente proibido no país em 1938, o Partido Nazista continuou em funcionamento até a entrada do Brasil na guerra contra o Eixo, em 1942.

Subitamente transformados em inimigos da pátria, alemães, italianos e japoneses passaram a sofrer intensa perseguição no país. A repressão deixou muitas vítimas inocentes, mas também desmascarou um grande número de espiões. Um dos mais importantes foi Albrecht Gustav Engels, que estava entre os líderes do esquema. Ele foi detido em janeiro de 1943, no Rio. Segundo a professora Priscila, grande parte das fontes de informação do serviço de espionagem nazista atuava de forma amadora. Eram pessoas comuns que revelavam o que sabiam ou repassavam o que ouviam de terceiros aos informantes do Terceiro Reich.

De acordo com o Dops de Santa Catarina, a espionagem alemã atuava no Brasil tanto individualmente quanto em redes. Os espiões que agiam de forma individual enviavam os dados que coletavam à Alemanha, seja por meio do Partido Nazista ou de entidades como clubes e associações. As redes de espionagem, por sua vez, buscavam informações variadas sobre o país, incluindo aspectos como política interna, estratégias de guerra, geografia litorânea e movimentação nos portos e aeroportos. Para enviar suas informações ao regime alemão sem serem descobertos, os espiões empregavam diversos recursos, tais como tinta invisível, pseudônimos, símbolos nos passaportes, códigos telegráficos, correspondência para endereços disfarçados, microfotografias e emissoras piratas de rádio.

Serviço:

Para saber mais sobre a atuação dos serviços de espionagem alemães no Brasil, leia os livros A guerra secreta de Hitler no Brasil, do brasilianista Stanley Hilton, e O perigo alemão e a repressão policial no Estado Novo, de Priscila Ferreira Perazzo.

País teve campos de concentração

Depois que o Brasil declarou guerra às potências do Eixo, alemães nazistas, suspeitos e espiões foram presos, processados e condenados a penas de 20 a 30 anos de prisão. Mas os campos de concentração montados pela ditadura Vargas também receberam cidadãos detidos somente por terem ascendência alemã. De 1942 a 1945, cerca de 3 mil "súditos do Eixo" – alemães, japoneses e italianos – foram levados a mais de uma dezena de campos de concentração distribuídos por vários estados – oficialmente, eram 12 (veja lista nesta página). Em Curitiba e Porto Alegre, os detidos ficaram em presídios comuns. Os maiores campos estavam em Pindamonhangaba e Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista.

Havia ainda outros campos, cuja existência não era reconhecida oficialmente. Imigrantes alemães de Ponta Grossa foram encaminhados a um campo de concentração no município pelo simples fato de falarem alemão ou possuírem exemplares de publicações na língua materna. Em Joinville, 200 presos foram colocados num hospício desativado. Um campo de concentração no Recife abrigou os funcionários das Casas Pernambucanas, apenas pelo fato de os seus patrões terem origem alemã.

O presídio de Ilha Grande, no Rio, abrigava os acusados de liderar o esquema de espionagem. Entre os alemães detidos em Ilha Grande, o mais famoso é o escritor Hans Curt Werner Meyer-Clason, hoje com 95 anos, que vive em Munique. Conhecido no meio literário como um dos maiores tradutores para a língua alemã de obras de autores lusófonos, ele até hoje nega qualquer envolvimento com espionagem nazista, alegando ter vindo ao Brasil justamente para fugir do regime hitlerista.


Os campos oficiais

Doze locais foram escolhidos pelo governo para receber presos de origem alemã, italiana ou japonesa:

> Daltro Filho, em Porto Alegre (RS)

> Trindade, em Florianópolis (SC)

> Curitiba

> Guaratinguetá (SP)

> Pindamonhangaba (SP)

> Bauru (SP)

> Pirassununga (SP)

> Ribeirão Preto (SP)

> Pouso Alegre (MG)

> Niterói (RJ)

> Chã de Estêvão, em Araçoiaba (PE)

> Tomé-Açu (PA)


texto de Ari Silveira

sexta-feira, outubro 9

Romênia reconhece seu passado a abre memorial do Holocausto

No dia 8 de outubro foi inaugurado em Bucareste, capital da Romênia um monumento em homenagem a cerca de 300.000 judeus e ciganos assassinados durante o Holocausto no país. Durante o regime comunista e também durante anos após sua queda, a Romênia negava que o extermínio tivesse ocorrido.

O presidente Traian Basescu disse que a Romênia tem um dever de "reconhecer o genocídio durante a Segunda Guerra Mundial" e honrar as vítimas.

O monumento de mármore e concreto custo mais de 7 milhões de dólares e em parte foi doado por sobreviventes judeus e ciganos. Os nomes de vítimas identificadas foi gravado nas paredes do memorial

Hoje há apenas 6.000 judeus na Romênia. Ainda hoje há grupos que admiram o marechal Ion Antonescu, o administrados pró-nazista do país, responsável pelas mortes. Eles o enxergam como um herói que lutou contra a União Soviética para recuperar territórios romenos.

Várias "Aktions" ações de extermínio, pogroms, feitos na maior parte por soldados e policiais locais com auxílio de tropas alemãs foram muito bem documentados. Em junho de 1941, cerca de 12.000 judeus foram mortos em Iasi, mas 120 pessoas foram espancadas enfiadas em um vagão de carga e mandadas para uma cidade menor. Apenas 24 sobreviveram

Outros judeus romenos foram deportados da Transilvânia por fascistas húngaros para campos de concentração nazistas. Na época a Hungria controlava parte do território.

Mas a Romênia também tem uma história, por parte de sua população de ajudar judeus fugitivos principalmente da Polônia. A rota através da Transilvania Húngara era uma das mais seguras. Aos judeus poloneses, para chegar à relativa segurança na Romênia em, 1942, bastava fugir dos guetos fechados, escapar da população polaca que os caçava e matava, escapar das patrulhas de fascistas húngaros e romenos e encontrar abrigo. Poucas tropas alemãs ficaram estacionadas na Romênia o que facilitava esta rota. Mas muitos foram trucidados por civis e grupos paramilitares ao tentar.

Nas fotos de época temos a retirada de corpos do trem de Iasi; judeus em frente a central de polícia de Iasi sendo obrigados a esfregar a rua para limpar o sangue dos judeus massacrados ali; e oque restou da Sinagoga Espanhola de Bucarest.

Pouca gente percebe, por que praticametne todas as famílias foram exterminados, mas no século 20 ainda era fortíssima a presença sefaradi na Europa Central, Balcãs e Grécia, para onde foram milhares dos judeus expulsos da Espanha no final de século 15, tanto que a comunidade judaica grega, exterminada em grande parte, falava o ladino, dialeto judaico da península ibérica e não o grego.

por José Roitberg - jornalista
fotos AFP